O conceito de metrobus, um sistema de transporte público em autocarro movido a hidrogénio, está a ganhar destaque em várias cidades portuguesas. Este modelo, que circula em vias dedicadas e promete ser mais rápido que os automóveis particulares durante as horas de ponta, apresenta-se como uma solução eficaz para a mobilidade urbana. Ricardo Rio, presidente da Câmara de Braga, sublinha que o metrobus é “muito mais barato e mais rápido na concretização” do que os sistemas de metro convencionais.
Cidades como Braga, Porto, Matosinhos e Coimbra estão a apostar no metrobus, também conhecido como BRT (Bus Rapid Transit), atraídas pela rapidez de instalação e pelos custos reduzidos. Este sistema combina a frequência e a pontualidade de um transporte em carris com a flexibilidade de um veículo sobre rodas, adaptando-se ao perfil dos territórios onde é implementado. Em Braga, por exemplo, a procura pelo transporte público tem aumentado significativamente, com a cidade a ultrapassar os 200 mil habitantes em 2023.
O traçado do metrobus em Braga será composto por 81% de canal dedicado e 19% em via partilhada, garantindo prioridade semafórica para assegurar rapidez e fiabilidade. A nova Linha Vermelha, que deverá iniciar operações em junho de 2026, ligará a estação de comboios ao hospital da cidade, passando pelo campus da Universidade do Minho. Com um investimento de 75,5 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o sistema contará com 12 autocarros elétricos, cada um com capacidade para 130 passageiros, circulando a cada seis minutos.
Ricardo Rio destaca que o metrobus vai retirar mais de 800 carros das ruas diariamente, resultando em menos trânsito, menos emissões poluentes e mais espaço público. Além disso, o projeto inclui a requalificação urbana, com melhorias nos acessos pedonais e a criação de ciclovias.
No Porto, o desenvolvimento do metrobus tem enfrentado desafios, com atrasos significativos nas obras. A linha que deveria ligar a Casa da Música à Praça do Império, em 12 minutos, já deveria ter entrado em funcionamento em setembro de 2024. Recentemente, a nova administração da Metro do Porto decidiu suspender temporariamente a segunda fase da obra, o que gerou novas polémicas.
Matosinhos também se prepara para a implementação do metrobus, que deverá ligar o mercado municipal ao aeroporto, com um investimento de quase 23 milhões de euros. Este projeto faz parte de um esforço para criar um sistema de transporte intermodal que una várias opções de mobilidade na região.
No Centro de Portugal, o Sistema de Mobilidade do Mondego vai interligar Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã, com um investimento de 220 milhões de euros. Este projeto, que substitui o antigo plano de metro ligeiro, visa servir 13 milhões de passageiros anualmente.
No Algarve, está prevista a criação de um percurso de 37,6 quilómetros entre Faro, Loulé e Olhão, com uma ligação ao aeroporto. Esta empreitada deverá beneficiar cerca de 185 mil residentes, representando 40% da população algarvia.
O metrobus está, assim, a emergir como uma solução viável e sustentável para a mobilidade urbana em Portugal. Leia também: “Os desafios da mobilidade urbana em tempos de mudança”.
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Fonte: ECO





