Miguel Poiares Maduro, ex-ministro da Comunicação Social, defendeu recentemente que a moderação de conteúdos nas redes sociais deve ser realizada por empresas de media tradicionais, em vez de ser controlada apenas pelas plataformas digitais. Durante um painel na conferência da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), ele argumentou que a separação dos serviços de moderação e criação de algoritmos poderia abrir um novo mercado para os media, permitindo-lhes oferecer serviços de moderação associados à sua produção de notícias.
Poiares Maduro explicou que as plataformas digitais operam em dois mercados distintos: um que fornece acesso à informação e outro que se ocupa da moderação de conteúdos através de algoritmos. Para ele, é essencial que as redes sociais façam essa distinção, uma vez que o mercado de moderação de conteúdos, atualmente dominado pelas próprias plataformas, é praticamente inexistente.
“A moderação de conteúdos deve ser tratada de forma distinta, criando um novo mercado onde os media tradicionais possam competir”, afirmou o especialista. Ele sugeriu que, ao entrar numa rede social como o Facebook ou Instagram, os utilizadores pudessem escolher entre diferentes modelos de moderação, incluindo opções oferecidas por empresas de media reconhecidas, como o The Guardian ou o The New York Times.
Do ponto de vista de Poiares Maduro, a União Europeia tem a capacidade de implementar esta separação de mercados com base no direito da concorrência, sem a necessidade de nova legislação. “A primeira prioridade em termos de políticas públicas deve ser esta. A União Europeia deve agir para promover uma concorrência justa”, sublinhou.
A proposta de Poiares Maduro surge num contexto de “crise profunda da democracia”, onde a transformação dos processos editoriais, impulsionada pela revolução tecnológica, tem impactado a credibilidade da informação. Ele destacou a importância de restabelecer a qualidade editorial nas plataformas digitais, trazendo os critérios jornalísticos dos media tradicionais para o espaço digital.
“Não se trata apenas de controlar o que se diz nas redes sociais. A nossa prioridade deve ser garantir que as pessoas tenham acesso a conteúdos de qualidade, oferecendo-lhes a escolha de modelos de moderação que respeitem a pluralidade e a credibilidade”, concluiu.
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moderação de conteúdos Nota: análise relacionada com moderação de conteúdos.
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Fonte: ECO





