Óscar Afonso, diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, expressou preocupações sobre a eficácia do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em transformar a economia portuguesa. Durante a 10.ª edição da Fábrica 2030, uma conferência organizada pelo ECO na Fundação de Serralves, Afonso afirmou que “o PRR não transformou a economia”, sublinhando que os portugueses “não foram capazes de mudar o motor da nossa economia”.
O economista lamentou que, apesar de ter sido gasto um montante significativo, muito desse dinheiro não se traduziu em investimento produtivo. “Foi muito dinheiro que foi gasto. Há muito dinheiro gasto que não foi investimento”, afirmou Afonso, destacando a necessidade de uma mudança estrutural para que Portugal possa competir entre os países mais ricos do mundo.
Em junho, a Comissão Europeia apelou a Portugal para acelerar a execução do PRR, enfatizando a importância de implementar reformas e investimentos antes do prazo final de agosto de 2026. Afonso indicou que, para que o país se posicione entre as economias mais desenvolvidas, seria necessário um crescimento de 2,6% ao ano. No entanto, as previsões atuais apontam para um crescimento económico de apenas 1,9% do PIB na variação homóloga anual, o que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade desse crescimento a longo prazo.
Apesar de Portugal ter registado um crescimento real de 1,9% em 2024, superando a média da União Europeia de 1,0%, Afonso questiona a capacidade desse crescimento em se manter. Desde o início do milénio, o PIB português cresceu apenas 1,0% ao ano, um dos ritmos mais baixos da União Europeia. O economista atribui o impulso recente à recuperação do turismo pós-pandemia e ao PRR, mas alerta para a fragilidade dessa dependência. “Estar muito dependente do turismo fragiliza-nos”, afirmou.
Afonso prevê que, com o fim da Guerra na Ucrânia, o turismo poderá dispersar-se novamente pela Europa, o que poderia impactar negativamente a economia portuguesa. A sua análise levanta questões cruciais sobre o futuro económico do país e a eficácia das políticas implementadas até agora.
Leia também: O impacto do turismo na economia portuguesa.
PRR Nota: análise relacionada com PRR.
Leia também: Governo mantém alterações à lei da greve na reforma laboral
Fonte: ECO





