As empresas familiares em Portugal enfrentam um dilema interessante. Por um lado, preservam os valores tradicionais que as tornam únicas; por outro, lutam para alcançar o profissionalismo das multinacionais. O que se observa é que o carácter familiar se manifesta principalmente nos legados das gerações anteriores, na cultura da família e na reputação associada ao apelido, que muitas vezes impulsiona o negócio.
No entanto, quando analisamos o panorama das médias empresas, a realidade é bem diferente. Muitas tentam projetar-se como grandes corporações, apresentando-se com websites atrativos e participando em eventos profissionais. Contudo, a informação que disponibilizam é frequentemente genérica. As secções sobre quem são, a missão e visão, e até a presença internacional, revelam-se superficiais e pouco informativas.
A proliferação de prémios também se tornou uma questão preocupante. Anualmente, surgem eventos que distribuem troféus a empresários, mas muitos destes prémios carecem de valor real. Apesar de algumas cerimónias serem respeitáveis, a maioria parece mais uma formalidade do que um reconhecimento genuíno. O empresário da média empresa, por sua vez, adora subir ao palco para receber o prémio e exibi-lo com orgulho, como se fossem conquistas significativas.
A minha experiência com médias empresas em Portugal revela que, embora muitas sejam rentáveis e bem geridas, a cultura empresarial frequentemente não evolui. Muitos empresários parecem satisfeitos com pequenas vitórias, ignorando o que realmente importa para o crescimento. O fosso entre a concentração empresarial em Portugal e em Espanha é um reflexo claro dessa mentalidade, onde um concorrente é visto como um inimigo, e não como um potencial parceiro.
Quando surge uma oportunidade de colaboração, como a proposta da ARBORIS, a resposta é muitas vezes negativa. Chamadas e emails ficam sem resposta, e aqueles que aceitam uma reunião tendem a falar mais do que a ouvir, focando-se nas suas realizações em vez de discutirem desafios. Esta atitude é típica de muitas empresas industriais tradicionais em Portugal, que revelam uma cultura conservadora e fechada.
O que se observa é uma mentalidade que inibe o desenvolvimento e a modernização. A falta de visão, ambição e a resistência à mudança são barreiras que muitas empresas enfrentam. A ABRP tem tentado promover a fusão de empresas, especialmente entre as médias, mas o resultado tem sido escasso. As médias empresas, que são fundamentais no tecido empresarial português, muitas vezes não se mostram dispostas a colaborar, mesmo quando isso poderia acelerar o crescimento.
Contudo, há esperança. Algumas empresas estão a ser lideradas por uma nova geração de líderes que são abertos, autoconfiantes e ambiciosos. Quando estas pessoas começarem a dominar as médias empresas, poderemos assistir a uma verdadeira revolução que beneficiará acionistas, empregados, clientes e fornecedores.
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Fonte: Sapo





