A inteligência artificial está a gerar grandes mudanças no setor marítimo-portuário, e António Belmar da Costa, presidente da Associação Portuguesa dos Agentes de Navegação (AGEPOR), não tem dúvidas de que esta tecnologia “terá impacto no emprego”. Em entrevista ao Jornal Económico, Belmar da Costa alerta que “não vai ser absorvida toda a mão de obra na nova economia”, deixando uma geração em transição sem oportunidades.
O líder da AGEPOR sublinha que, atualmente, quem não compreende a inteligência artificial e não se adapta a esta nova realidade corre o risco de ficar para trás. “Quem não trabalhar com esse esquema na cabeça está ultrapassado e não vai cá ficar”, afirma. Para ele, a inteligência artificial representa uma oportunidade para os trabalhadores, permitindo-lhes “libertar tempo” e focar-se em tarefas que a tecnologia ainda não consegue realizar.
A automatização é uma tendência inevitável, tanto nos navios como nos terminais. Belmar da Costa prevê que os estivadores deixarão de realizar tarefas pesadas, uma mudança que já se começa a notar. “Os estivadores vão deixar de andar a carregar, como já deixam hoje em dia”, explica.
Além das mudanças trazidas pela inteligência artificial, o presidente da AGEPOR também expressa preocupações sobre a imprevisibilidade internacional, que considera o maior desafio atual para o setor. “Um mês muito bom, outro mês muito mau”, lamenta, referindo que a situação geopolítica, como a guerra na Ucrânia e as tensões no Médio Oriente, afeta diretamente os agentes de navegação. As políticas protecionistas entre potências como a China e os Estados Unidos também têm um impacto significativo nas tarifas.
Apesar das dificuldades, Belmar da Costa mantém uma perspetiva otimista. Ele acredita que os problemas atuais serão superados, levando a um “boom” económico sem precedentes. No entanto, reconhece que a imprevisibilidade pode atrasar este progresso. “É uma questão de como e quando”, afirma.
Sobre a guerra comercial, o líder da AGEPOR destaca que as tarifas aumentadas têm consequências imediatas para os países exportadores para os Estados Unidos, resultando em aumentos de custos para o consumidor final. Contudo, ele não prevê impactos duradouros. “Acredito que a tendência será uma revisão em baixa das tarifas, e que isso não prejudicará gravemente o comércio global”, diz, sublinhando que a situação deve ser vista a médio prazo.
Belmar da Costa critica a visão comum sobre as tarifas, defendendo que é necessário haver uma certa equidade. “Não podia ser como era antigamente: os Estados Unidos eram um pouco a vaca leiteira do mundo”, conclui.
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Fonte: Sapo





