A Web Summit continua a ser uma plataforma de destaque que coloca Portugal no mapa do empreendedorismo global. No entanto, após uma década, muitos no setor acreditam que é necessário um maior efeito multiplicador da cimeira e um alinhamento mais eficaz entre a imagem que o evento projeta e a realidade de se estabelecer uma startup em Portugal. Stephan Morais, presidente da Associação Portuguesa de Capital de Investimento (APCRI), afirma que “não adianta investir em conferências internacionais se a máquina do Estado não consegue responder a procedimentos essenciais para transformar o país num hub tecnológico”.
Desde que a Web Summit se mudou de Dublin para Lisboa, o ecossistema de startups em Portugal cresceu exponencialmente, passando de 1.000 para 4.700 startups entre 2016 e 2024. O impacto económico direto do evento em Lisboa é significativo, com estimativas que apontam para 200 milhões de euros durante a semana da cimeira. Contudo, Marcelo Lebre, cofundador da Remote, alerta que muitos empreendedores que visitam o evento acabam por optar por fundar as suas empresas noutros países, devido à complexidade do ecossistema local.
Vítor Ferreira, diretor-geral da Startup Leiria, refere que, apesar da diminuição do entusiasmo em relação à Web Summit desde 2016, o evento ainda serve como uma porta de entrada para novos projetos e investidores. “Hoje, a Web Summit faz a ponte entre a Europa e as Américas, o que é crucial num mundo marcado por tarifas e guerras comerciais”, afirma.
Mauro Frota, CEO da Bhout, sublinha que a cimeira continua a ser um ativo estratégico, essencial para reforçar a imagem de Portugal no exterior e acelerar contactos que, sem este palco, demorariam meses. A maturidade do ecossistema português tem vindo a aumentar, com uma colaboração mais estreita entre incubadoras, capital de risco e universidades.
No entanto, muitos especialistas concordam que é preciso melhorar a ligação entre o evento e o ecossistema local. Miguel Santo Amaro, cofundador da Coverflex, destaca que “devemos garantir que as startups portuguesas tenham maior visibilidade e acesso a investidores internacionais”. A transformação do evento em impacto real ao longo do ano é um desafio que ainda precisa ser enfrentado.
A realidade burocrática em Portugal é um dos principais obstáculos que os empreendedores internacionais enfrentam. Vítor Ferreira menciona que “atrasos de 6 a 8 meses na obtenção de autorizações de residência” são comuns, o que contrasta com a imagem positiva que a Web Summit promove. Elisa Tarzia, da 351 Startup, acrescenta que a falta de padronização nos processos e a instabilidade legislativa dificultam a entrada de novos negócios.
Apesar dos desafios, iniciativas como o Startup Visa e o Tech Visa têm sido implementadas para facilitar a entrada de fundadores estrangeiros. Miguel Aguiar, da Startup Portugal, destaca que “o trabalho conjunto entre diferentes entidades públicas tem reforçado a eficiência dos processos”, mas ainda há muito a fazer para criar um ambiente mais acolhedor para as startups.
A Web Summit é, sem dúvida, um catalisador importante para o ecossistema português, mas a verdadeira questão é como maximizar o seu impacto e garantir que o país se torne um destino preferido para empreendedores de todo o mundo. “Precisamos de um ecossistema que transforme leads em resultados”, conclui Márcia Pereira, CEO da Bandora.
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Fonte: ECO





