A EDP, uma das principais empresas do setor energético em Portugal, apresentou recentemente o seu novo plano estratégico para o período de 2026 a 2028. A reação dos investidores foi morna, especialmente após a venda de uma participação de 5,2% na empresa pelo Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB), um dos maiores fundos de pensões do mundo. Esta venda, realizada através de um ‘Accelerated Book Building’, resultou numa entrada de cerca de 815 milhões de euros, levantando preocupações sobre a saúde do mercado de capitais português.
O novo plano estratégico da EDP inclui um investimento total de cerca de 12 mil milhões de euros, sendo que 60% desse valor será direcionado para a EDPR nos Estados Unidos. O investimento no mercado ibérico está estimado em 3,6 mil milhões de euros. Além disso, a empresa prevê um opex nominal estável de 1,9 mil milhões de euros, uma rotação de ativos de 5 mil milhões e desinvestimentos adicionais de mil milhões. As metas estabelecidas incluem um EBITDA de 5,2 mil milhões de euros em 2028 e um lucro recorrente de 1,3 mil milhões, com a dívida líquida a cair para 15 mil milhões de euros.
Em comparação, o plano anterior prometia um investimento de 25 mil milhões de euros entre 2023 e 2026, com 85% desse valor em energias renováveis e uma ambição de crescimento muito mais agressiva. O novo ciclo estratégico é, portanto, mais seletivo e conservador, refletindo uma mudança de foco para um crescimento com menos risco, mas também com menos potencial de valorização.
A decisão de cortar o capex e aumentar o foco nas redes com rendibilidades reguladas poderá aumentar a resiliência do balanço da EDP. No entanto, isso também limita o potencial de lucro por ação e o dividendo. A rotação de ativos será uma forma de financiar o novo plano, mas não transformará a empresa de forma significativa. Sem iniciativas como recompra de ações ou marcos operacionais que proporcionem um retorno elevado para os acionistas, o mercado poderá tornar-se mais exigente.
A venda do fundo canadiano não altera a estrutura de governação da EDP, que continua a contar com a proteção da China Three Gorges e do grupo espanhol Masaveu. Contudo, à medida que se aproximam as assembleias gerais eletivas, a EDP corre o risco de se tornar uma empresa familiar, blindada do mercado, mas sem uma narrativa atrativa para novos investidores institucionais.
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Fonte: ECO





