O comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, alertou esta quarta-feira para os “ventos contrários consideráveis” que estão a impactar o crescimento da economia da zona euro. Durante uma conferência de imprensa após a reunião dos ministros das Finanças do Eurogrupo, Dombrovskis sublinhou que os países da moeda única “não podem ser complacentes” em relação às suas finanças, especialmente com as previsões do PIB a serem divulgadas na próxima segunda-feira pela Comissão Europeia.
Dombrovskis reconheceu que a economia da zona euro está a apresentar um desempenho mais forte em 2025 do que o esperado, continuando a gerar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, ele destacou a necessidade de cautela, dado o “contexto de elevada incerteza” que resulta das tensões geopolíticas e comerciais, especialmente entre os Estados Unidos e a China, bem como dos desequilíbrios macroeconómicos globais.
As previsões do PIB da Comissão Europeia surgem num cenário de grande incerteza, tanto externa como interna, que afeta as economias dos países da União Europeia. Entre os principais fatores que condicionam este cenário estão a persistência da inflação subjacente e a política monetária restritiva do Banco Central Europeu, que têm um impacto negativo no investimento e no consumo privado.
A evolução dos preços da energia, que depende fortemente da situação geopolítica no Médio Oriente e da guerra na Ucrânia, é outro elemento crítico. Além disso, as preocupações com o comércio mundial, o abrandamento da economia alemã e as tensões orçamentais em vários países da zona euro, como França, também contribuem para a incerteza.
Em relação a Portugal, o Governo destacou o “bom momento” da economia nacional, que espera ver refletido nas previsões da Comissão Europeia. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, referiu que a execução orçamental está a ser “bastante robusta”, prevendo um excedente tanto este ano como no próximo.
Sarmento mencionou que a economia portuguesa está a mostrar um dinamismo significativo, com números recentes do emprego e salários a indicar um crescimento forte até setembro. “Estamos confiantes de que teremos superávites orçamentais”, afirmou o ministro.
Nas últimas previsões económicas, a Comissão Europeia estimou que Portugal terá um excedente orçamental de 0,1% do PIB este ano, que se transformará num défice de 0,6% em 2026. A instituição também reviu em baixa as previsões de crescimento da economia portuguesa para este ano, fixando-as em 1,8%, mas mantendo uma expectativa de crescimento de 2,2% para 2026.
Por outro lado, a Comissão Europeia ajustou significativamente em baixa as previsões de crescimento para a zona euro, passando de 1,3% para 0,9% este ano, devido às tarifas norte-americanas e à incerteza comercial.
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Fonte: ECO





