A UGT (União Geral dos Trabalhadores) anunciou a realização de uma greve geral no dia 11 de dezembro, em conjunto com a CGTP, a primeira desde 2011. Esta decisão surge em resposta às mais de 100 alterações que o Governo pretende implementar na lei do trabalho e à falta de progresso nas negociações na Concertação Social. Em entrevista ao ECO, o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, esclareceu que a greve não é uma vingança contra o Governo, mas sim uma forma de exigir mudanças nas propostas apresentadas.
Mourão enfatizou que o objetivo é que o documento que chegue à Assembleia da República seja substancialmente diferente do que foi apresentado em julho. Apesar da paralisação anunciada, a UGT mantém-se aberta ao diálogo e à negociação com o Governo. “Estamos sempre dispostos a suspender a greve, desde que haja uma nova proposta que reflita as nossas preocupações”, afirmou.
A UGT decidiu avançar com a greve geral devido à preocupação de que o Governo estivesse a atrasar as negociações, apenas para apresentar uma proposta final após a aprovação do Orçamento do Estado para 2026. Mourão sublinhou que a UGT não é contra as empresas, mas sim a favor de um diálogo que promova a valorização dos trabalhadores e a modernização das empresas.
O secretário-geral da UGT recordou que, em julho, a organização já tinha manifestado a sua oposição ao anteprojeto de reforma da lei do trabalho, mas aceitou negociar. No entanto, a falta de evolução nas propostas levou à decisão de convocar a greve geral. “Acreditamos que ainda é possível chegar a um acordo na Concertação Social, mas precisamos de sinais claros do Governo”, disse Mourão.
A UGT está preocupada com a possibilidade de o Governo levar a proposta à Assembleia da República sem considerar as contribuições dos parceiros sociais. A organização sindical está a preparar-se para ações que possam influenciar a discussão parlamentar, caso a greve não resulte em alterações significativas.
Mourão também respondeu às críticas do Governo, que considerou a greve como uma manobra política. “A UGT é uma organização que representa trabalhadores de várias tendências políticas, e não estamos a agir por interesses partidários”, afirmou. A UGT acredita que a greve geral é um sinal de descontentamento com a atual abordagem do Governo nas negociações.
Se o Governo demonstrar abertura para discutir as propostas da UGT, a greve poderá ser suspensa. “As melhores greves são aquelas que não se fazem, porque não queremos prejudicar os trabalhadores”, concluiu Mourão. A UGT continua disponível para negociar, mesmo após a greve, reafirmando a importância do diálogo na resolução dos conflitos laborais.
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greve geral Nota: análise relacionada com greve geral.
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Fonte: ECO





