Impacto da Inteligência Artificial no Trabalho e Desigualdade em Portugal

A chegada da inteligência artificial (IA) e das tecnologias de automação está a causar uma revolução no mercado de trabalho em Portugal. Embora este fenómeno possa gerar oportunidades significativas, também levanta desafios que não podem ser ignorados. Um estudo recente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, no qual participei, analisa a exposição dos trabalhadores do setor privado à IA e à automação, revelando que existem tanto vencedores como perdedores neste novo cenário.

O impacto económico da IA pode ser positivo, mas a distribuição desigual dos seus benefícios exige uma resposta estratégica dos decisores políticos. É crucial garantir que o progresso tecnológico seja inclusivo e não amplifique a desigualdade económica. As tecnologias de IA podem aumentar a produtividade do trabalho humano, mas também podem substituir trabalhadores, dependendo da forma como se combinam esses efeitos.

Cerca de 30% dos trabalhadores em Portugal estão em profissões que correm o risco de colapso. Estas profissões, altamente expostas à automação, têm uma capacidade reduzida de beneficiar da complementaridade da IA. Entre os perdedores, destacam-se os trabalhadores da área de vendas, que representam cerca de 170.000 empregos, ou mais de 5% do total do emprego no setor privado. Estas profissões enfrentam o risco de obsolescência, o que pode resultar em baixos salários e períodos prolongados de desemprego.

Por outro lado, o estudo identifica também as “profissões em ascensão”, que representam mais de 20% do emprego em Portugal. Estas profissões, geralmente altamente qualificadas, beneficiam da IA e estão menos expostas à automação. Os trabalhadores destas áreas, que exigem competências interpessoais, analíticas e criativas, poderão ver os seus rendimentos aumentar significativamente.

A exposição às novas tecnologias não é uniforme em todo o país. Regiões como Braga, Aveiro e Viana do Castelo têm uma maior concentração de empregos vulneráveis à automação, enquanto Lisboa, com uma economia mais orientada para serviços intensivos em conhecimento, está relativamente protegida. Esta desigualdade regional pode aprofundar os desequilíbrios económicos já existentes.

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Uma estratégia essencial para mitigar as desigualdades é a requalificação dos trabalhadores em risco de substituição. A formação em competências alinhadas com a IA pode facilitar a transição para profissões mais valorizadas, onde os rendimentos são mais elevados. Além disso, a requalificação deve ser preventiva, ocorrendo antes que os trabalhadores percam os seus empregos. As empresas também têm um papel importante, devendo implementar programas de formação que ajudem os seus colaboradores a adaptarem-se às novas exigências do mercado.

As medidas para combater a desigualdade não se limitam à requalificação. Políticas redistributivas, como impostos progressivos sobre rendimentos e lucros, devem ser exploradas, assim como a implementação de impostos sobre robôs e contribuições para a segurança social em caso de desemprego tecnológico. Embora a aplicação prática destas ideias seja complexa, é fundamental continuar a estudá-las.

A IA tem o potencial de impulsionar a inovação e o crescimento económico em Portugal. Exemplos de empresas que utilizam deep learning para descobertas científicas demonstram como a tecnologia pode abrir novas oportunidades. No entanto, é crucial que o debate sobre a IA e a automação não seja deixado apenas ao mercado. Os cidadãos e os decisores políticos devem estar envolvidos na discussão sobre como a tecnologia pode ser orientada para complementar o trabalho humano, em vez de o substituir.

A inteligência artificial pode trazer benefícios significativos, mas é necessário um enfoque estratégico e inclusivo para garantir que todos possam beneficiar desta revolução tecnológica. O futuro do trabalho em Portugal depende da capacidade de encontrar um equilíbrio entre crescimento económico e redução da desigualdade.

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Inteligência Artificial Inteligência Artificial Inteligência Artificial Nota: análise relacionada com Inteligência Artificial.

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Fonte: ECO

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