As memórias desempenham um papel crucial na formação da nossa identidade. Zeina Abirached, uma autora de origem libanesa, cresceu numa cidade marcada pela divisão e pela guerra. O seu relato é um testemunho poderoso de como as memórias podem ser tanto dolorosas quanto formativas.
Nascida numa cidade onde a linha de separação entre comunidades era visível, Zeina recorda-se de um ambiente em que as ervas cresciam lado a lado com minas prestes a explodir. Esta dualidade da vida, entre a beleza da natureza e os horrores da guerra, moldou a sua infância e, consequentemente, a sua obra literária.
Uma das memórias que mais a assombra é a dificuldade em estabelecer uma simples chamada telefónica. O desespero de esperar horas até ouvir o sinal que indicava que havia linha é um reflexo da incerteza que permeava a sua vida. Essas memórias, embora dolorosas, são fundamentais para entender a sua perspectiva e a forma como a guerra afecta as relações humanas.
Zeina também recorda a necessidade de ir à fonte buscar água para tomar banho, uma tarefa que se tornava um ritual diário em tempos de conflito. A escassez de recursos básicos é uma realidade que muitas pessoas enfrentam em situações de guerra, e as memórias associadas a esses momentos revelam a resiliência do espírito humano.
Outra memória marcante é a de passar noites na escola jesuíta, onde se sentia mais segura do que em casa. Os bombardeamentos constantes tornavam a vida quotidiana insuportável, e as crianças, aterrorizadas, encontravam consolo em pequenos prazeres, como comer bombons dentro do saco-cama. Essas memórias de infância, embora repletas de medo, também são um testemunho da capacidade de encontrar alegria em meio ao caos.
As memórias de Zeina Abirached não são apenas um relato pessoal, mas um reflexo de uma geração que cresceu em meio à guerra. A sua obra literária é uma forma de preservar essas memórias e de dar voz a todos aqueles que viveram experiências semelhantes. Através da sua escrita, ela convida os leitores a refletirem sobre o impacto da guerra nas suas vidas e na formação da sua identidade.
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Fonte: Sapo





