Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação, abordou a temática da inteligência artificial (IA) com um olhar crítico e interessado, destacando a rapidez das mudanças que estamos a viver. Na conferência “Zona de Impacto”, organizada pelo Jornal Económico, Marçal Grilo sublinhou a “imprevisibilidade” que a IA traz para o futuro, afirmando que é essencial preparar as pessoas para as transformações que se avizinham.
Segundo o ex-governante, a IA e os algoritmos já alteraram profundamente as nossas vidas, mas ninguém consegue prever com precisão como estas mudanças vão moldar o futuro. “As escolas enfrentam um desafio enorme”, afirmou, referindo-se à necessidade de adaptação do sistema educativo. Embora existam especialistas a discutir o tema, Marçal Grilo notou que é difícil determinar quais profissões poderão desaparecer nos próximos anos.
As gerações mais novas, segundo o antigo ministro, lidam com a tecnologia de forma natural, mas as escolas ainda estão “muito desatualizadas”. Ele prevê que, no futuro, o aprendizado será mais diversificado, permitindo que cada um escolha a forma como deseja aprender, desde que tenha vontade. Marçal Grilo recordou um estudo de há 30 anos que revelou que 50% dos inquiridos não tinham interesse em aprender mais, uma situação que considera preocupante nos dias de hoje.
Defendendo que “ainda se aprende muito nos livros”, Marçal Grilo alertou para a complexidade das transições que a sociedade enfrenta. Ele destacou que a rapidez das transformações atuais pode resultar em desemprego e na necessidade de reconversão profissional. De acordo com o Fórum Económico Mundial, cerca de 59% dos trabalhadores a nível global precisarão de requalificação até 2030 para se manterem relevantes no mercado de trabalho.
Marçal Grilo também chamou a atenção para o facto de que a maioria das empresas em Portugal são microempresas, que enfrentam dificuldades em acompanhar a evolução tecnológica. Ele exemplificou com o caso de pequenos agricultores que, segundo ele, não irão entrar na era digital, uma vez que as suas profissões são mais tradicionais.
O ex-ministro considera que o país enfrenta um “grande desafio”, especialmente as instituições de ensino superior, que devem refletir sobre a formação que oferecem. Com um aumento significativo no número de doutorados em Portugal, Marçal Grilo acredita que o país tem potencial, mas ressalta que a formação científica é fundamental para desenvolver o sentido crítico e a capacidade de resposta dos alunos.
Além das competências técnicas, o ex-governante enfatizou a importância das atitudes e comportamentos. As empresas precisam de pessoas proativas, que acrescentem valor. Contudo, a questão dos valores preocupa-o mais. “Vivemos num mundo de mentiras”, afirmou, referindo-se à desinformação que permeia a sociedade. Para ele, a perda de valores pode levar à degradação da sociedade.
Marçal Grilo defendeu que as escolas e universidades têm um papel crucial na promoção de valores como a ética, a solidariedade e o respeito. “Na escola não se pode mentir, não se pode desrespeitar os outros”, sublinhou, considerando estas questões fundamentais para a transição que vivemos.
Apesar de reconhecer a fragilidade das instituições em Portugal, Marçal Grilo mantém uma visão otimista sobre as gerações mais jovens, que, segundo ele, têm um potencial significativo e uma cultura menos influenciada pela televisão. “Acredito que a nova geração pode trazer mudanças positivas”, concluiu.
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Fonte: Sapo





