Pressão de short sellers sobre Mota-Engil aumenta

A Mota-Engil, uma das principais construtoras portuguesas, está a ser alvo de crescente pressão por parte de investidores que apostam na queda das suas ações. Recentemente, a Square Circle IA LP, um fundo de cobertura sediado em Boston, comunicou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que detém uma posição a descoberto equivalente a 0,61% do capital da empresa. Esta é a maior posição entre os três fundos que atualmente estão a apostar contra os títulos da Mota-Engil, liderada por Carlos Mota dos Santos.

A Square Circle IA LP, fundada em 2020 e com mais de 500 milhões de dólares sob gestão, utiliza estratégias quantitativas e de análise em mercados globais. A sua entrada no mercado de ações da Mota-Engil junta-se a outras posições a descoberto já assumidas, como a da Capital Fund Management, que detém 0,5% do capital, e a da Muddy Waters Capital, com 0,57%. Juntas, estas posições representam cerca de 1,68% do capital social da Mota-Engil. É importante notar que a Marshall Wace, que anteriormente tinha uma posição a descoberto de 0,6%, já a encerrou ou reduziu para menos de 0,5%.

Em Portugal, a legislação exige que todas as posições a descoberto que excedam 0,2% do capital de uma empresa cotada sejam comunicadas à CMVM. A partir de 0,5%, essas informações tornam-se públicas no site do regulador, permitindo que o mercado esteja ciente das apostas contra determinadas empresas.

A estratégia de venda a descoberto é relativamente simples: um investidor acredita que uma ação está sobrevalorizada e, para lucrar com essa convicção, pede ações emprestadas e vende-as ao preço atual. Se o preço cair, ele compra as ações mais baratas, devolve-as ao credor e fica com a diferença. Contudo, se o preço subir, as perdas podem ser ilimitadas, uma vez que não há um teto para a valorização de uma ação.

Leia também  Novidades do dia: CTT, Agência de Inovação e Anuário Financeiro

Embora os fundos não tenham divulgado as razões específicas para as suas posições negativas na Mota-Engil, a valorização de 104% das suas ações desde o início de 2025, em comparação com um aumento de apenas 21,8% do PSI, pode sugerir que estes investidores consideram os títulos da empresa excessivamente valorizados em relação aos seus fundamentos.

As vendas a descoberto são uma prática legítima nos mercados financeiros, utilizadas tanto para especulação como para proteção de outras posições. Esta estratégia permite que os investidores expressem visões negativas sobre empresas e, teoricamente, contribui para a eficiência do mercado ao incorporar diferentes perspetivas sobre o valor das ações. Para a Mota-Engil, a grande questão que se coloca agora é se a sua performance excecional em bolsa é sustentável ou se os investidores estão a identificar riscos que ainda não foram refletidos no preço das ações.

Leia também: Mota e Teixeira enchem carteira e sobem mil milhões em bolsa.

Leia também: DSTSolar conquista projeto de central fotovoltaica de 3,7 milhões

Fonte: ECO

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top