Transportes e descarbonização: desafios na COP30

O setor dos transportes é responsável por cerca de 15% das emissões globais de gases com efeito de estufa, abrangendo o transporte terrestre, marítimo e aéreo. Durante a COP30, especialistas discutem a descarbonização dos transportes e os desafios que este setor enfrenta. Helder Pedro, secretário-geral da ACAP — Associação Automóvel de Portugal, destaca que, nos últimos anos, houve uma evolução significativa no setor automóvel, com um aumento na eletrificação dos veículos e melhorias nos processos de fabrico.

No transporte marítimo, Nuno Santos, CEO da Lisnave, reconhece que, apesar da eficiência deste modo de transporte, a sua pegada carbónica é significativa, uma vez que 95% do transporte internacional é realizado por via marítima. Para que haja ganhos visíveis na descarbonização dos transportes, é necessário um esforço considerável. Santos afirma que a indústria está a trabalhar na substituição do heavy fuel oil por biocombustíveis, hidrogénio, metano e amónia, enquanto o gás natural liquefeito está a ser utilizado como combustível de transição.

A incerteza é um dos principais desafios que os armadores enfrentam. Ao encomendar um novo navio, não sabem qual será o combustível do futuro. Os portos também precisam de realizar investimentos significativos nas infraestruturas para abastecer os navios. Apesar dos estudos e projetos piloto em andamento, ainda não se destaca uma solução clara para a descarbonização dos transportes marítimos.

No que diz respeito ao transporte rodoviário, a União Europeia estabeleceu que, a partir de 2035, apenas poderão ser vendidos veículos com emissões zero. Embora isso não signifique que todos os veículos tenham de ser elétricos, a tecnologia dos combustíveis sintéticos ainda é cara e necessita de subsídios para ser viável. Helder Pedro afirma que a eletrificação da frota automóvel é um caminho sem retorno, especialmente com o investimento de 250 mil milhões de euros da União Europeia.

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Embora o mercado de veículos elétricos na UE não tenha evoluído como esperado, Portugal destaca-se com uma penetração de 21,5%, superior à média europeia. O sucesso deve-se à centralização do sistema de pagamento através da Mobi.E e à disposição dos portugueses em adotar novas tecnologias. Para Helder Pedro, é crucial considerar também veículos híbridos na descarbonização dos transportes, e os governos devem apoiar a renovação do parque automóvel.

A descarbonização dos transportes é um tema central na COP30, refletindo a necessidade de soluções inovadoras e colaborativas para enfrentar os desafios climáticos. Leia também: “A transição energética e o futuro dos transportes”.

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Fonte: ECO

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