Bitcoin entra em bear market e apaga ganhos de 2025

A Bitcoin, a criptomoeda mais valiosa do mundo, viu a sua cotação descer para menos de 90 mil dólares, um valor que não era alcançado há sete meses. Esta queda, que resulta numa perda de todos os ganhos acumulados em 2025, marca a entrada oficial da Bitcoin em bear market, com uma descida superior a 20% em relação aos máximos recentes.

Nos últimos 45 dias, o mercado de criptoativos perdeu mais de 1,2 biliões de dólares, uma reviravolta que apanhou muitos investidores desprevenidos. A queda de quase 30% da Bitcoin desde o seu pico de 6 de outubro, quando atingiu 126.272 dólares, é apenas a face visível de um problema mais profundo. O surgimento do padrão conhecido como “death cross”, que ocorre quando a média móvel de 50 dias cruza abaixo da média de 200 dias, é um sinal tradicionalmente interpretado como um prenúncio de mais quedas.

Além disso, os traders de opções estão a antecipar perdas ainda maiores, com uma crescente procura por opções que garantam proteção das posições em Bitcoin a níveis de 85 mil e 80 mil dólares. Esta situação indica que os profissionais do mercado esperam uma continuação da tendência de descida.

A correção da cotação da Bitcoin não se deve a um único fator, mas a uma combinação de elementos que se reforçam mutuamente. As expectativas em torno de cortes nas taxas de juro da Reserva Federal dos EUA esfriaram consideravelmente. Se em outubro a redução das taxas parecia certa, atualmente a probabilidade caiu para 46%. Juros mais altos tornam os títulos de dívida americana mais atrativos, reduzindo o apetite por ativos de risco, como os criptoativos.

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Simultaneamente, a liquidez global está a apertar. A Reserva Federal continua a reduzir o seu balanço através do “aperto quantitativo”, enquanto o Tesouro americano acumula dinheiro na sua conta no banco central, retirando liquidez do sistema financeiro. Esta combinação eleva as taxas de financiamento de curto prazo, tornando mais caro especular com ativos voláteis como a Bitcoin.

A crise no universo cripto agravou-se há cerca de um mês, quando declarações de Donald Trump sobre tarifas contra a China desencadearam a liquidação de 20 mil milhões de dólares em posições alavancadas de criptoativos. Conhecida como o “10/10”, esta liquidação deixou uma marca duradoura no setor. As chamadas “baleias”, grandes detentores de Bitcoin, aproveitaram o pânico para vender e realizar lucros acumulados ao longo dos anos. No entanto, a ausência de novos compradores, especialmente entre os pequenos investidores, é preocupante.

A entrada de recursos em produtos cotados de Bitcoin nos EUA abrandou drasticamente, passando de 441 mil bitcoins em outubro para apenas 271 mil agora. Nos últimos cinco semanas, saíram 2,6 mil milhões de dólares destes produtos, a maior sangria desde março. Sem novos compradores, a pressão descendente intensifica-se.

O colapso dos criptoativos não é um fenómeno isolado. Os mercados asiáticos também sofreram quedas significativas, com o Topix japonês a perder 2,9% e o Hang Seng de Hong Kong a recuar 1,7%. Investidores que perderam dinheiro em Bitcoin estão a ser forçados a vender outras posições para cobrir perdas.

Apesar do cenário desolador, alguns mantêm uma visão de longo prazo. Louis LaValle, CEO da Frontier Investments, argumenta que a Bitcoin está a amadurecer e que não estamos a viver um inverno cripto. A adoção da Bitcoin por instituições, como o JPMorgan Chase, que a aceita como colateral, distingue este ciclo dos anteriores. Contudo, a curto prazo, a falta de liquidez continua a ser um fator determinante.

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Fonte: ECO

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