Finanças em COP30: Incentivos para a Ação Climática

A 30.ª Conferência das Partes (COP30) está a gerar um intenso debate sobre a necessidade de compromissos financeiros que tornem a ação climática uma realidade. Em entrevista ao ECO/Capital Verde, Isabel Ucha, CEO da Euronext, e António Baldaque, diretor executivo do Centro de Finanças Sustentáveis da Católica, destacaram a urgência de uma maior clareza e estabilidade regulatória nas finanças sustentáveis.

Após a última COP, onde se acordou mobilizar 1,3 biliões de dólares anuais para a ação climática nos países em desenvolvimento, a necessidade de atrair investimentos é premente. Isabel Ucha afirma que “quanto mais conseguirmos mobilizar o mundo financeiro para captar poupanças e financiar esses investimentos, mais acelerada será essa transição”. A CEO da Euronext sublinha que os investidores estão cada vez mais atentos a critérios de impacto ambiental, social e de governança, além da rentabilidade.

No entanto, existem desafios significativos. António Baldaque observa que o investimento climático tem-se concentrado em tecnologias já consolidadas, o que dificulta a inovação. “No clima económico atual, é complicado pedir às empresas que arrisquem em novas tecnologias”, explica. Além disso, a instabilidade geopolítica e a complexidade das métricas de sustentabilidade têm dificultado a transparência necessária para atrair capital.

Para estimular o investimento, Ucha defende que o setor financeiro deve comunicar melhor com os cidadãos, incentivando-os a alocar mais das suas poupanças em projetos sustentáveis. Apesar dos avanços, a dívida sustentável representa menos de 10% do mercado, o que evidencia a necessidade de uma informação mais clara e comparável sobre investimentos em sustentabilidade.

Baldaque acrescenta que é crucial criar um contexto legislativo e económico que favoreça a alocação de capital para a transição. Ele sugere a implementação de sistemas de incentivos, como os mercados de carbono, que ainda se encontram em fase inicial. Critica também a incoerência de manter apoios financeiros ao petróleo, mesmo com a existência de impostos sobre este recurso.

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Em relação à COP, Baldaque enfatiza a importância de “mecanismos mais inteligentes” para compensar os países em desenvolvimento na sua transição, uma vez que os países desenvolvidos já esgotaram o seu quota de carbono. Apesar das flutuações nos investimentos verdes, Ucha conclui que “estes temas estruturantes continuarão a progredir”.

Leia também: O impacto das finanças sustentáveis na economia global.

finanças sustentáveis finanças sustentáveis Nota: análise relacionada com finanças sustentáveis.

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Fonte: ECO

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