Tarifas no aço ameaçam 250 mil empregos na indústria portuguesa

As novas tarifas sobre o aço importado pela União Europeia estão a gerar preocupações na indústria metalúrgica e metalomecânica em Portugal, um setor que representa mais de 250 mil empregos e vendas anuais de cerca de 24 mil milhões de euros. A redução dos limites de aço isento de taxas e o aumento da tarifa de 25% para 50% fora dessa quota podem colocar em risco a competitividade das empresas transformadoras, que se sentem “reféns” de preços mais elevados na compra de matéria-prima.

António Pedro Antunes, CEO da Metalogalva, partilhou a sua experiência na conferência organizada pelo ECO e pela AIMMAP, onde destacou que, após a imposição de tarifas por Donald Trump em 2018, a empresa decidiu abrir uma unidade nos EUA para proteger os seus interesses. Atualmente, a Metalogalva faturou 100 milhões de euros nos EUA e deslocalizou toda a produção para lá. Contudo, a nova realidade de tarifas ameaça novamente o setor, com Antunes a afirmar que “70% do negócio está em risco”.

As quotas de importação de aço, que se esgotam rapidamente, complicam ainda mais a situação. O CEO da Metalogalva critica a Comissão Europeia por criar “desequilíbrios no mercado”, defendendo que a proteção da siderurgia europeia não deve ser feita à custa das empresas transformadoras. A indústria metalomecânica, que emprega 13 milhões de trabalhadores na Europa, considera que a abordagem da União Europeia pode levar a deslocalizações e perda de postos de trabalho.

Paulo Sousa, CEO da Colep Packaging, também expressou a sua preocupação. Ele argumenta que as tarifas não estão a aumentar a competitividade, mas sim a colocar as empresas em situações difíceis, onde a deslocalização se torna uma opção viável. “Se queremos continuar a funcionar, teremos de deslocalizar produção”, afirma Sousa, que já emprega 800 pessoas, 600 das quais em Portugal.

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A situação é alarmante, pois as empresas transformadoras não conseguem competir com o aço mais barato disponível na Ásia. “O aço vai encontrar formas de cá chegar, seja através de produtos semi-acabados ou acabados”, alerta Sousa. A proteção temporária que deveria aumentar a competitividade está a resultar em laxismo e aumento das margens de lucro, sem o investimento necessário para modernizar as indústrias.

Rafael Campos Pereira, vice-presidente da AIMMAP, reforça que a indústria transformadora está a ser comprometida por medidas irrealistas e que o futuro do setor está em risco. “Estamos a sobrecarregar as nossas empresas diariamente”, lamenta. Ele pede ao Governo que tome medidas para proteger o setor, que é vital para a economia portuguesa.

No contexto atual, a indústria metalomecânica enfrenta desafios significativos, e as tarifas no aço podem ser um fator decisivo na deslocalização de produção e na perda de empregos. “Andamos há muito tempo a dizer que vem aí o lobo, mas há um dia que o lobo vai chegar”, conclui Campos Pereira.

Leia também: O impacto das tarifas na competitividade da indústria europeia.

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Fonte: ECO

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