Governo mantém foco na reforma laboral apesar da greve geral

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que a greve geral agendada para dezembro não irá desviar o Governo das suas intenções de reformar a legislação laboral. Durante uma cerimónia de entrega de prémios PME Excelência em Guimarães, Montenegro expressou a sua estranheza pela convocação da greve, mas sublinhou que o direito à greve é legítimo e que o Executivo está preparado para lidar com essa situação.

Montenegro destacou que o foco do Governo está em tornar o país mais competitivo e robusto, apontando três áreas prioritárias: a fiscalidade, a redução da burocracia e uma legislação laboral mais flexível e favorável ao investimento. O objetivo, segundo o primeiro-ministro, é aumentar o crescimento económico de 2% para valores entre 3% e 4%. Ele acredita que, ao melhorar as condições para as empresas, também se criam oportunidades para melhores salários para os trabalhadores.

Em declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro reafirmou que as negociações sobre a reforma laboral estão em andamento e que todas as partes envolvidas devem estar dispostas a ceder. Montenegro não hesitou em afirmar que está disposto a participar pessoalmente nas discussões, junto da ministra do Trabalho.

O primeiro-ministro também questionou o momento da greve geral, considerando que Portugal está a viver um período de crescimento económico e quase pleno emprego. “É um pouco estranho que, num país onde os salários estão a aumentar e os impostos sobre o rendimento do trabalho estão a descer, se convoque uma greve geral”, disse Montenegro, que defendeu a necessidade de corrigir erros do passado na legislação laboral.

Por outro lado, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, comentou que têm surgido “sinais positivos” nas negociações sobre a reforma laboral. Ele acredita que ainda há espaço para diálogo, apesar da greve agendada. Marcelo destacou a importância de um processo negocial que possa levar a um compromisso, mesmo que isso demore algum tempo.

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“Prefiro um longo processo negocial que termine com um compromisso do que uma solução apressada”, afirmou o Presidente, que se mostrou esperançado quanto a um desfecho positivo das negociações.

A greve geral, marcada para 11 de dezembro, é vista por Marcelo como uma forma de pressão das entidades sindicais, mas ele reiterou que o mais importante é o resultado final das negociações. “O que me preocupa, mas também me dá esperança, é o ponto de chegada”, concluiu.

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Fonte: ECO

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