A requalificação profissional em Portugal está a tornar-se um desafio crescente para as empresas, especialmente com a rápida disseminação da inteligência artificial (IA). Durante a 3.ª Talk .IA, uma conferência organizada pelo ECO, Ana Gama Marques, diretora de Pessoas e Organização do MEO, destacou a necessidade de as organizações encontrarem um equilíbrio geracional nas suas equipas.
No painel intitulado “O reskilling que as empresas (e os trabalhadores) precisam”, Ana Gama Marques explicou que os colaboradores mais jovens, que estão mais dispostos a experimentar novas tecnologias, podem ajudar os profissionais mais experientes a explorar essas inovações. Por outro lado, os trabalhadores séniores trazem um conhecimento profundo sobre a organização e o setor. “É esta combinação que faz funcionar as equipas”, sublinhou.
Ana Gama Marques frisou que a requalificação profissional é inevitável e que já existem projetos em andamento nas empresas para abordar esta questão. Contudo, a responsável salientou que não se deve privilegiar apenas as soft skills ou hard skills. “É o equilíbrio dos dois. Só com os dois é que temos alguém completo”, afirmou.
Miguel Mira da Silva, professor catedrático do Instituto Superior Técnico, também participou no painel e defendeu a urgência da requalificação profissional. Ele alertou que, para atender às necessidades do mercado, será necessário requalificar cerca de 300 mil pessoas por ano até 2030, enquanto as universidades formaram apenas 30 mil alunos este ano. “Estamos a falar de um volume dez vezes superior ao número de novos estudantes que entraram no ensino superior em 2025”, destacou.
O professor Mira da Silva também mencionou que a IA “só serve se for bem utilizada”, algo que, segundo ele, ainda não está a acontecer nas empresas. “Existe um grande desconhecimento sobre o uso de IA. Eu não vejo empresas a adotá-la”, afirmou. Ele ainda acrescentou que as lacunas nas competências digitais básicas são um obstáculo significativo, com muitos trabalhadores a não saberem utilizar ferramentas como o Excel ou o Word.
Apesar de a adoção de IA ainda ser limitada, o MEO já está a desenvolver agentes de inteligência artificial internamente, com o objetivo de otimizar processos e poupar recursos. Ana Gama Marques explicou que a empresa tem equipas dedicadas a criar soluções que automatizam tarefas anteriormente realizadas por colaboradores. “Essas soluções permitem que, numa equipa de quatro pessoas, o trabalho de uma pessoa seja feito por esta ferramenta, aumentando significativamente a eficiência”, disse.
Miguel Mira da Silva alertou para o potencial inexplorado dos agentes de IA, afirmando que “podem fazer dez vezes mais coisas que o ChatGPT, mas ninguém sabe o que é um agente”. Ele defendeu que é urgente repensar o sistema educativo para preparar os alunos para um mundo cada vez mais dominado pela IA. “Os miúdos passam mais de vinte horas por semana numa sala de aulas, metade das quais a ouvir aulas expositivas, quando o ChatGPT explica a matéria mil vezes melhor que o professor”, concluiu.
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requalificação profissional requalificação profissional Nota: análise relacionada com requalificação profissional.
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Fonte: ECO





