A inteligência artificial (IA) está a transformar rapidamente o mundo e a educação em Portugal enfrenta um grande desafio. Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação, sublinha a importância de preparar as novas gerações para um futuro incerto, onde muitas profissões poderão desaparecer. Na conferência Zona de Impacto Pensar Global, Marçal Grilo destacou que as escolas e universidades têm um papel crucial na formação de cidadãos críticos e bem informados.
O ex-governante acredita que a velocidade das mudanças tecnológicas exigirá uma reconversão significativa da força de trabalho. “Muita gente ficará desempregada e muitas terão de ser requalificadas”, afirmou. Para ele, as “boas empresas” procurarão trabalhadores proativos que consigam adaptar-se às novas exigências do mercado.
Marçal Grilo também realçou que, apesar dos desafios, Portugal tem uma base sólida de conhecimento. O número de doutorados tem vindo a aumentar, passando de 2.600 em 1978 para cerca de 3.000 por ano atualmente. Mesmo que uma percentagem seja considerada de baixa qualidade, este é um avanço significativo em relação ao passado. “O país tem quem pense”, afirmou, mostrando-se otimista em relação às capacidades das novas gerações.
No entanto, o antigo ministro alertou para a necessidade de um esforço que vai além da mera implementação de tecnologia. “O pilar dos conhecimentos científicos é fundamental”, disse. Sem uma formação sólida, os alunos não conseguirão desenvolver sentido crítico nem vontade de aprender. É essencial que as instituições educativas promovam uma educação que valorize o raciocínio lógico e o conhecimento científico.
Outro ponto de preocupação para Marçal Grilo é a perda de valores éticos na sociedade. “Vivemos num mundo de mentira”, afirmou, referindo-se à crescente desinformação. Para ele, a educação deve ser um exemplo de verdade, ética, solidariedade e respeito. “Se perdermos os valores, a sociedade afunda-se”, alertou.
Quanto ao impacto da inteligência artificial na economia, Marçal Grilo prevê dificuldades, especialmente para as microempresas, que constituem a maioria em Portugal. Ele mencionou o exemplo de um pequeno fornecedor de legumes, que provavelmente não conseguirá adaptar-se à era digital. “A IA não nos vai dar de comer!”, brincou, destacando que algumas profissões, especialmente as ligadas à alimentação, continuarão a ser essenciais.
As escolas e universidades têm, portanto, uma responsabilidade enorme na formação de cidadãos preparados para enfrentar os desafios da inteligência artificial. A educação deve ser uma ponte para um futuro mais ético e informado. Leia também: O papel da educação na era digital.
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Fonte: Sapo





