Na manhã deste sábado, a cimeira COP viu a delegação da União Europeia (UE) concentrar-se em negociações intensas, rodeada por um grande número de jornalistas. Um dia após o que deveria ser o encerramento oficial do encontro, ainda não havia consenso sobre o texto do acordo. Os 27 membros da UE reuniram-se desde as 7 horas da manhã, saindo apenas quatro horas depois com um resultado.
O principal obstáculo estava na ambição do texto apresentado. Vários países expressaram descontentamento com a proposta da presidência, enquanto a necessidade de manter o multilateralismo se tornava uma prioridade. A UE acabou por concordar com três parágrafos que foram incluídos no texto a ser votado mais tarde em Belém. Embora o acordo seja considerado menos ambicioso do que o desejado, espera-se que facilite um consenso entre todas as partes envolvidas na COP.
“Não vamos esconder que preferíamos ter mais ambição em tudo. E penso que isso deveria ser possível, tendo em conta a forma como o planeta continua a aquecer”, afirmou Wopke Hoekstra, comissário do Ambiente da UE. Ele reconheceu que o bloco europeu gostaria de ter adicionado mais ao acordo, mas decidiu apoiar o que estava em cima da mesa.
Hoekstra justificou essa decisão com a necessidade de preservar o multilateralismo, que, segundo ele, tem um valor intrínseco, especialmente em tempos geopolíticos complicados. “Viemos aqui com grandes ambições, mas estabelecemos um acordo que manterá o processo vivo. Fica para as futuras COP decidir como aproveitar as oportunidades que mantivemos abertas”, disse Lars Aagaard, ministro dinamarquês da Energia e do Clima.
Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente de Portugal, considerou que o acordo alcançado é o máximo que a UE conseguiu obter, afirmando que era isso ou um não acordo. Ela confirmou que as negociações foram difíceis, tanto pela ambição desejada quanto pela falta de apoio de alguns países com os quais a Europa mantém boas relações.
A ministra francesa, por sua vez, descreveu o texto como “bastante insípido” e admitiu que nenhum dos países presentes saiu com um sentimento de triunfo. “Não posso chamar esta COP de sucesso”, afirmou, referindo-se à falta de transparência no processo.
Apesar das dificuldades, Carvalho destacou que os pontos essenciais do mandato da UE estavam refletidos na versão final, incluindo a mitigação e a necessidade de aumentar a ambição nas Contribuições Nacionalmente Determinadas. O parágrafo 41 do acordo sugere a criação de um Acelerador Global de Implementação, uma iniciativa para manter o aumento da temperatura dentro do limite de 1,5 °C.
Além disso, a UE compromete-se a triplicar o financiamento para adaptação até 2035 e a promover diálogos sobre cooperação internacional. Embora a inclusão de um roadmap para os combustíveis fósseis não tenha avançado, a presidência brasileira garantiu que, no próximo ano, promoverá reuniões sobre este tema.
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Fonte: ECO





