A campanha presidencial de 2026 em Portugal apresenta-se como um cenário fascinantemente atípico, marcado por uma antecipação incomum. Enquanto as campanhas de Natal e de verão costumam durar apenas alguns meses, já existem candidatos a lançar-se desde 2024. Este prolongamento da campanha, que mais se assemelha a uma maratona do que a um sprint promocional, traz consigo desafios significativos em termos de gestão de mensagens e recursos.
A dinâmica eleitoral parece também ter mudado, com uma pulverização de candidatos que vai além dos tradicionais dois ou três blocos. O que antes era uma corrida entre grandes marcas políticas transformou-se num mercado diversificado, onde surgem candidaturas de todos os tipos: ex-militares, figuras da nova direita e até políticos quase esquecidos. Este fenómeno reflete uma mudança no comportamento dos eleitores, que já não se identificam com uma única figura ou mensagem.
A tendência que se observa é a passagem de uma abordagem “one size fits all” para uma segmentação mais específica, onde os eleitores procuram afinidades que se afastam do mainstream. Alguns candidatos conseguem apelar a múltiplos nichos, mas não conseguem agregar todos os segmentos. Por outro lado, as figuras mais convencionais enfrentam uma erosão da sua base de apoio, à medida que os eleitores se deixam seduzir por mensagens mais direcionadas e pertinentes às suas realidades.
Neste contexto, a campanha presidencial de 2026 revela que o candidato vencedor não será, até ao dia da eleição, um “everybody’s darling”. A pergunta que se coloca é: quem devem os candidatos seduzir além do seu nicho? Ao tentar ampliar a sua base, correm o risco de perder a sua autenticidade. Assim como numa marca, o DNA de um candidato é crucial para o seu sucesso. Um erro pode mudar tudo.
A data de 18 de janeiro aproxima-se, e com ela a possibilidade de um novo presidente ou uma segunda volta. O resultado desta eleição será determinado, em grande parte, pela capacidade dos candidatos de se adaptarem a este novo cenário. Por exclusão de partes, saberemos quem será o novo presidente de todos os portugueses.
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Fonte: ECO





