A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, está a ser alvo de críticas severas por parte das centrais sindicais CGTP e UGT, que a acusam de ter dificuldades em justificar os argumentos do Governo para a reforma laboral. Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, afirmou que a governante demonstra uma “tremenda dificuldade” em explicar as razões que sustentam as mudanças propostas, sugerindo que não está familiarizada com as instituições com as quais dialoga.
No mesmo evento, Mário Mourão, da UGT, descreveu a ministra como uma “técnica” que não possui a habilidade necessária para criar um ambiente propício à negociação. Apesar das críticas, Mourão afirmou que a UGT continuará a participar nas discussões, mesmo que a ministra não pareça preparada para o diálogo.
A CGTP considera que a proposta de reforma laboral representa um “profundo retrocesso” para os direitos dos trabalhadores e uma tentativa de desvalorizar a sua importância. Em resposta a estas preocupações, ambas as centrais sindicais convocaram uma greve geral para o dia 11 de dezembro, em protesto contra o anteprojeto de lei apresentado pelo Governo.
Durante uma entrevista à RTP, a ministra do Trabalho expressou a sua convicção de que a greve irá avançar, mas classificou-a como “inoportuna”, sublinhando que deve ser uma solução de último recurso. Maria do Rosário Palma Ramalho também afirmou que a CGTP nunca aceitaria um acordo, o que levou Tiago Oliveira a criticar a sua falta de conhecimento sobre a história das negociações, recordando que a CGTP já assinou vários acordos em sede de Concertação Social.
A UGT, por sua vez, alertou que a situação é “muito grave” e que o debate atual é uma oportunidade para esclarecer os trabalhadores sobre a importância da greve. A central sindical espera uma adesão significativa à paralisação, que considera uma forma de pressão para que o diálogo continue.
Mário Mourão mencionou que a UGT foi incentivada a prosseguir as negociações, mas que, se o diálogo falhar, novas formas de luta poderão ser consideradas. Apesar de a audiência com o primeiro-ministro e a ministra do Trabalho ter sido descrita como “bastante construtiva”, a greve permanece agendada.
Após o anúncio da greve geral, o Ministério do Trabalho apresentou uma nova proposta à UGT, com algumas alterações ao anteprojeto inicial. No entanto, a UGT considerou que as mudanças são “muito pouco” para desconvocar a paralisação. O Governo propôs simplificações nos despedimentos em médias empresas e a reposição de dias de férias, mas manteve medidas controversas, como o regresso do banco de horas individual e a revogação de restrições ao outsourcing.
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Fonte: ECO





