A recente redução de 44% nas candidaturas ao SIFIDE para 2024 não é apenas um dado a ser ignorado. Este número serve como um alerta para a economia portuguesa, especialmente no que diz respeito à inovação nas pequenas e médias empresas (PME). A diminuição das candidaturas resulta de um endurecimento nas regras de elegibilidade, que agora penalizam os investimentos realizados através de Fundos de I&D, que, nos últimos anos, tinham registado um crescimento significativo.
Por um lado, este rigor adicional visa evitar a duplicação de apoios, assegurando que não haja financiamento simultâneo para as mesmas atividades de I&D. Contudo, por outro lado, torna menos atrativo o investimento em I&D de forma indireta, especialmente para empresas que não realizam atividades de I&D internamente ou que buscam maximizar os apoios ao combinar despesas diretas e indiretas.
Este panorama desafia as PME a reforçar a sua aposta em I&D interna, aumentando a sua capacidade de gerar conhecimento e, consequentemente, a sua competitividade. Estudos demonstram que a I&D é um dos principais motores da competitividade empresarial. No entanto, criar condições para que as PME aloque recursos de forma sistemática a estas atividades é um desafio considerável, dado que muitas delas não dispõem de equipas dedicadas.
As PME enfrentam agora a pressão de integrar a I&D como um pilar central da sua estratégia. Isso implica a necessidade de profissionalizar processos, formar equipas e implementar planos de I&D de forma estruturada. No entanto, este desafio também apresenta uma oportunidade. Ao investirem consistentemente em I&D, as PME não apenas garantem o acesso a benefícios fiscais que podem recuperar até 82,5% do investimento, mas também reforçam a sua competitividade e criam bases sólidas para o crescimento, tanto a nível nacional como internacional.
Portugal estabeleceu a meta de alcançar 3% do PIB em I&D até 2030. Este objetivo não pode ser alcançado apenas com o apoio das grandes multinacionais; é crucial que as PME se adaptem a este novo cenário. Elas têm o potencial de inovar em setores tradicionais, modernizar cadeias de valor e gerar emprego qualificado em todo o país. O SIFIDE pode ser um catalisador para essa transformação, devendo ser encarado não apenas como um instrumento fiscal, mas como uma ferramenta estratégica para promover crescimento e competitividade.
A diminuição das candidaturas deve servir como um alerta. Não é momento de abrandar o investimento em I&D, mas sim de reforçar a sua importância. O SIFIDE deve ser visto como um compromisso entre as empresas e o futuro da economia portuguesa. As empresas que se adaptarem ao novo quadro regulatório e investirem em I&D de forma estruturada e interna estarão mais bem preparadas para enfrentar os desafios globais.
O futuro da inovação em Portugal está nas mãos das empresas que, diante da pressão, optarem por transformar desafios em progresso. Leia também: O papel das PME na inovação e no crescimento económico.
SIFIDE SIFIDE Nota: análise relacionada com SIFIDE.
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Fonte: Sapo





