A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de oito indivíduos, incluindo quatro empresários e quatro funcionários da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), suspeitos de corrupção no setor do vinho verde. A operação, realizada na zona Norte do país, resultou em 21 buscas, incluindo na sede da CVRVV.
Segundo a PJ, os detidos estão envolvidos em um alegado esquema de conluio que visava beneficiar certos empresários do setor vinícola. Este conluio incluía a omissão de deveres de fiscalização relacionados com a origem e o trânsito das uvas, bem como o seu armazenamento em adegas durante a vindima de 2025. A atuação dos suspeitos poderá comprometer a certificação da qualidade do vinho com Denominação de Origem (DO), essencial para garantir a autenticidade e características dos vinhos da região.
Os detidos pertencem à Divisão de Fiscalização e Controlo da CVRVV e à indústria de produção e distribuição de vinhos verdes. Além das detenções, foram constituídos arguidos 17 indivíduos e entidades, e foram apreendidos diversos bens, tanto em espécie como em dinheiro.
A investigação teve início a partir de uma denúncia anónima e revelou um esquema complexo, onde os suspeitos teriam oferecido e aceitado vantagens, tanto monetárias como em bens, para favorecer certos operadores económicos. A PJ sublinha que as práticas detetadas são de difícil identificação, apesar dos esforços da Direção da Comissão e das operações de fiscalização realizadas pela GNR e ASAE.
Os detidos serão apresentados ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto para o primeiro interrogatório judicial e a aplicação de medidas de coação. A presidente da CVRVV, Dora Simões, expressou a sua total colaboração com as autoridades, afirmando que a comissão está interessada em esclarecer a situação o mais rapidamente possível.
Dora Simões relatou que a presença da PJ na sede da comissão a apanhou de surpresa e garantiu que não tinha conhecimento prévio sobre as investigações. Ela assegurou que a CVRVV está a disponibilizar toda a informação necessária para que as autoridades possam avançar no processo.
Este caso levanta questões sobre a integridade do setor do vinho verde, que já enfrenta desafios significativos. A presidente da CVRVV reconheceu que este é um momento difícil e que a comissão tem a obrigação de colaborar para garantir a transparência e a qualidade dos vinhos da região.
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Fonte: ECO





