Recentemente, um debate sobre o futuro do ESG, que abrange questões ambientais, sociais e de governança, revelou visões divergentes sobre os avanços e desafios que se colocam. O evento, realizado no auditório da PLMJ, contou com a participação de especialistas que discutiram o que resta do conceito de ESG e as suas implicações para o futuro.
Madalena Perestrelo de Oliveira, consultora sénior da PLMJ, destacou que, apesar dos desafios, “nenhum de nós está disposto a deixar cair nenhuma destas letras”. A competitividade é uma preocupação central, e, segundo a consultora, tem impulsionado uma revisão significativa das diretivas europeias. Contudo, algumas dessas diretivas, como a Diretiva de Reporte de Sustentabilidade, ainda não foram implementadas em Portugal.
A consultora sublinhou que o reporte não deve ser visto apenas como uma questão de conformidade, mas sim como um motor de mudança que pode incorporar a sustentabilidade nas estratégias empresariais. No entanto, o Parlamento Europeu propôs eliminar a obrigação das empresas de elaborar um plano de transição, uma decisão que Madalena considera “altamente preocupante”.
Entre os participantes, Luís Pais Antunes, presidente do Conselho Económico e Social, expressou a sua preocupação com a extensa rede regulatória que a Europa tem implementado. Segundo ele, essa complexidade tem dificultado a competitividade e contribuído para o insucesso da Europa em vários setores. “O que resta do ESG é uma fatura grande para pagar”, afirmou.
Filipe Duarte Santos, presidente do Conselho Nacional para o Desenvolvimento Sustentável, acrescentou que, a nível mundial, o ambiente não é uma prioridade, com questões sociais e económicas a serem vistas como mais relevantes. Ele destacou que os avanços em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável têm sido limitados.
José Costa Pinto, vice-presidente do Instituto Português de Corporate Governance, referiu que o conceito de ESG deve ser visto como uma visão multistakeholder que tem vindo a ganhar força nas últimas décadas. Ele defendeu que a governança deve permanecer imune às oscilações políticas e regulatórias, pois, sem um sólido pilar de governança, não há crescimento.
O debate sobre o futuro do ESG em Portugal revela que, apesar dos desafios, há um consenso sobre a importância de manter a discussão ativa e encontrar soluções que possam garantir a sustentabilidade e a competitividade das empresas. Leia também: O impacto das novas diretivas europeias na sustentabilidade empresarial.
Leia também: Armazenamento: essencial para o consumo diário eficiente
Fonte: ECO





