Um novo fenómeno está a surgir no panorama global dos multimilionários, com um aumento significativo de herdeiros a tomar as rédeas das fortunas familiares. De acordo com o “Billionaire Ambitions Report 2025” do UBS, publicado recentemente, o número de multimilionários está a crescer, impulsionado por um volume recorde de heranças e pela inovação empresarial.
Em Portugal, o clube dos milionários também se expandiu em 2024, com mais 3.200 pessoas a ultrapassarem a fasquia do milhão de dólares em património líquido. Este aumento eleva o total para cerca de 175 mil milionários no país, conforme dados anteriores do banco suíço.
O estudo global indica que, em 2025, foram registados 196 novos multimilionários, que acumularam fortunas superiores a mil milhões de dólares. Este número é o segundo mais elevado da história do relatório, apenas superado pelo ano de 2021. A fortuna global dos multimilionários atingiu um recorde de 15,8 biliões de dólares, um crescimento de 13% em apenas um ano. Contudo, a maioria deste crescimento é atribuída a herdeiros, em vez de novos empreendedores.
Os multimilionários do setor tecnológico destacaram-se, beneficiando da valorização das ações de empresas líderes em inteligência artificial, como Meta, Oracle e Nvidia. Os seus ativos aumentaram em 23,8%, somando três biliões de dólares, o que os torna um dos setores mais robustos.
O relatório também revela que 91 pessoas tornaram-se multimilionárias através de heranças, recebendo um total de 297,8 mil milhões de dólares, um aumento significativo em relação aos 218,9 mil milhões de dólares herdados em 2024. Esta transferência de riqueza é a maior já registada na história do relatório.
A Europa Ocidental é o epicentro desta tendência, com 48 herdeiros a receberem 149,5 mil milhões de dólares, enquanto na América do Norte, 18 herdeiros acumularam 86,5 mil milhões de dólares. Os analistas do UBS preveem que, nos próximos 15 anos, pelo menos 5,9 biliões de dólares serão herdados por filhos de multimilionários, com os EUA a concentrar a maior parte desta transferência.
Apesar do elevado volume de heranças, o estudo revela uma mudança de mentalidade entre os multimilionários. Mais de 80% dos inquiridos desejam que os seus filhos desenvolvam competências para serem bem-sucedidos de forma independente, em vez de dependerem apenas da riqueza herdada. Esta nova abordagem reflete uma adaptação às rápidas mudanças do mercado e à necessidade de resiliência e adaptabilidade.
O relatório do UBS também destaca a mobilidade dos multimilionários, com 36% dos inquiridos a terem mudado para outro país. As principais razões incluem a busca por uma melhor qualidade de vida e preocupações geopolíticas.
Em suma, o mundo está a viver uma nova era na distribuição da riqueza, marcada pela inovação e pela maior transferência intergeracional de fortunas alguma vez registada. Em Portugal, a tendência de crescimento dos multimilionários acompanha este fenómeno global, com um aumento moderado, mas significativo, no número de pessoas com património superior a um milhão de dólares.
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Fonte: ECO





