Portugal exporta calor para aquecer o norte da Europa

Uma fábrica em Aveiro, Portugal, tem um papel crucial no aquecimento das casas do norte da Europa durante os rigorosos meses de inverno. Enquanto o sol português atrai turistas no verão, são as bombas de calor, produzidas nesta unidade, que levam o calor do nosso país para regiões onde as temperaturas caem abaixo de zero.

A Bosch, conhecida pela sua produção de esquentadores a gás, evoluiu ao longo dos anos. Com marcas emblemáticas como Vulcano e Junkers a saírem desta fábrica, a empresa adaptou-se às exigências da transição energética, focando-se agora na produção de bombas de calor. Estes dispositivos, que utilizam eletricidade em vez de combustíveis fósseis, representam uma solução mais sustentável e eficiente para o aquecimento residencial.

Em 2023, a Bosch de Aveiro registou um recorde de vendas, atingindo 526 milhões de euros, um aumento significativo face aos 451 milhões do ano anterior. Este crescimento é impulsionado pela forte procura por bombas de calor, após um investimento de 100 milhões de euros no desenvolvimento da unidade de engenharia e laboratórios.

Jónio Reis, diretor da Bosch Aveiro, sublinha a importância deste investimento, destacando que 35 milhões de euros foram direcionados para engenharia e laboratórios. “A Bosch investe em linhas de produção, mas também em engenharia, o que é uma âncora perfeita para Aveiro e Portugal”, afirma.

A unidade de bombas de calor da Bosch começou a operar em 2023, com os principais mercados a incluir Alemanha, França, Itália e Reino Unido. João Lagarto, responsável pela produção, revela que a fábrica de Aveiro é responsável por quase 50% de todas as bombas de calor produzidas pela Bosch. O mercado europeu de bombas de calor está projetado para duplicar até ao final da década, com um crescimento anual estimado em 10%.

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No entanto, a empresa enfrenta desafios, como os preços elevados das bombas de calor, que podem afastar alguns consumidores. Para contornar essa situação, a Bosch está a desenvolver um modelo mais acessível, conhecido como “bomba latina”, que deverá ser lançado no próximo ano.

Atualmente, a Bosch vende cerca de 1,2 milhões de unidades de bombas de calor por ano, com expectativas de que esse número supere os 2 milhões até a década de 30. A empresa continua a produzir esquentadores, que ainda têm uma forte procura, especialmente em países da Europa, norte de África e América Latina.

Evandro Amorim, responsável pelos negócios da Bosch Aveiro, destaca que a empresa se posiciona como uma entidade multi-tecnologia, oferecendo uma gama diversificada de produtos para atender às diferentes necessidades dos consumidores. Além das bombas de calor, a Bosch mantém a produção de esquentadores elétricos e caldeiras a gás.

Recentemente, a Bosch iniciou a construção de um novo edifício em Aveiro, que abrigará uma nova linha de produção de bombas de calor, com um investimento de 2 milhões de euros. Contudo, a trajetória da empresa não foi sempre fácil. Em 2018, a Bosch enfrentou dificuldades para adaptar os seus produtos às novas regulamentações europeias sobre emissões de gases poluentes e eficiência energética, o que resultou na perda de quota de mercado.

“Não conseguimos responder rapidamente e isso trouxe-nos desafios. Foi nesse momento que decidimos diversificar e desenvolver novos produtos, levando ao surgimento das primeiras bombas de calor”, conclui Jónio Reis.

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Fonte: Sapo

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