No passado domingo, o mundo perdeu António Mota, um engenheiro cuja influência e amizade marcaram a vida de muitos. A sua partida deixou um vazio profundo, e na segunda-feira, estive na Igreja de São Gonçalo, em Amarante, para prestar a minha última homenagem. A dor da perda era palpável, mesmo sabendo que a sua doença era terminal. António Mota não foi apenas um líder na construção, mas também um amigo que deixou memórias inesquecíveis.
António Mota assumiu a liderança da Mota e Companhia em 1995, após a morte repentina do seu pai. Desde o início, demonstrou uma energia contagiante e uma visão ambiciosa para a empresa. Não era a maior construtora, mas tinha a determinação para se tornar uma referência no setor. Em 1999, a aquisição da Engil foi um marco, trazendo uma nova cultura de rigor e uma equipa de excelência, que elevou a Mota e Companhia a novos patamares.
A capacidade de António Mota para unir equipas e promover o desenvolvimento comercial foi notável. Ele sabia ouvir e aprender com as discussões, valorizando a diversidade de opiniões. A sua abordagem permitiu que a Mota Engil se tornasse uma força poderosa no mercado, mesmo diante de desafios significativos.
A nossa relação começou em 2002, quando apresentei um programa de reorganização ao conselho de administração. António Mota estava atento e, após a apresentação, fez uma pergunta crucial que demonstrou a sua vontade de avançar. A partir desse momento, a nossa colaboração intensificou-se, e a amizade começou a florescer. Passávamos horas a discutir estratégias, sempre com um cigarro na mão, e a sua capacidade de tomar decisões difíceis era admirável.
O processo de reorganização durou 18 meses e trouxe mudanças significativas. António Mota confiou em mim para ajudá-lo a navegar por essas águas turbulentas, e a nossa relação tornou-se mais próxima. Ele era um líder exigente, mas também generoso e humano. A sua forma de lidar com as pessoas e o seu sentido de humor tornaram-no um amigo especial.
Em 2012, António Mota fez-me uma proposta irrecusável: ser o novo CFO da Mota Engil. A sua determinação era evidente, e mesmo quando recusei, ele não desistiu. A nossa relação não se limitou ao trabalho; partilhámos momentos pessoais que fortaleceram a nossa amizade, como o dia que passei na sua casa na ilha do Faial.
António Mota partiu cedo demais, aos 71 anos, mas deixou um legado que perdurará. A sua memória viverá entre todos nós que tivemos o privilégio de conhecê-lo. Ele foi um grande amigo, um líder visionário e um homem que sempre valorizou as relações humanas. A sua história é um testemunho de como um indivíduo pode impactar a vida de tantos.
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Fonte: Sapo





