A inteligência artificial (IA) está a transformar o panorama empresarial, com um foco crescente na automatização do atendimento ao cliente e na otimização de processos internos. Ivo Bernardo, cofundador da DareData, uma empresa portuguesa especializada em IA, partilha a sua visão sobre as tendências e desafios que o setor enfrenta. Segundo Ivo, muitos clientes ainda têm uma perceção errada da IA, acreditando que esta é a solução para todos os problemas. “Há uma frustração de que a IA é um martelo que resolve todos os pregos”, afirma.
No terceiro episódio do Podcast .IA, do ECO, Ivo Bernardo destaca que a procura por soluções de IA tem crescido, especialmente na área do atendimento ao cliente. Exemplos como o chatbot Helena dos CTT, que agiliza as respostas aos clientes, e um projeto com a Nos, que visa otimizar a obtenção de informações internas, ilustram bem esta tendência. A implementação de um “copilot” que integra sistemas complexos é uma das soluções que as empresas têm procurado para melhorar a eficiência.
No entanto, a maturidade tecnológica dos clientes varia. Enquanto alguns têm uma ideia clara de como aplicar a inteligência artificial, outros são levados pelo marketing e não sabem exatamente o que precisam. Ivo recorda uma reunião em que um cliente queria automatizar todo o suporte ao cliente, mas recebia apenas 20 chamadas por dia. “Se calhar, não é a inteligência artificial que vai resolver aqui grande coisa”, conclui.
A frustração com a IA pode surgir de duas formas: a expectativa de que a IA resolve tudo e a má implementação por parte das empresas. Ivo sublinha que, apesar do hype à volta da IA, muitas organizações ainda não confiam plenamente na sua aplicação em processos críticos, que envolvem riscos financeiros e de compliance.
Olhando para o futuro, Ivo destaca algumas tendências que marcarão o setor em 2026. A qualidade dos sistemas de IA será fundamental, especialmente no que diz respeito à capacidade de lidar com erros e alucinações. A eficiência também será uma prioridade, com um foco crescente na redução da complexidade dos modelos de IA. “Context is king”, afirma Ivo, referindo-se à necessidade de tornar os sistemas mais eficientes e menos dispendiosos.
Por último, a intersecção entre o mundo físico e a inteligência artificial está a ganhar destaque. A possibilidade de criar mundos simulados ou robôs humanoides baseados em IA pode parecer ficção científica, mas Ivo acredita que é uma realidade em desenvolvimento.
Em relação ao atual clima de investimento, Ivo não acredita que uma eventual bolha de IA leve a um novo “inverno” do setor. Embora haja preocupações com a sobrevalorização das empresas tecnológicas, ele defende que a aplicabilidade da inteligência artificial ainda está nos seus primórdios e há muito espaço para crescimento.
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Fonte: ECO





