A greve geral marcada para o dia 11 de dezembro, convocada pela CGTP e pela UGT, deverá ter um impacto económico “claramente inferior a 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB)”, conforme a análise de Pedro Braz Teixeira, economista e diretor do gabinete de estudos do Fórum para a Competitividade. Este impacto poderá rondar os 300 milhões de euros, segundo as previsões.
De acordo com o especialista, a adesão à greve no setor público costuma ser elevada, atingindo cerca de 80%. No entanto, o efeito sobre o PIB é limitado, uma vez que o emprego público representa apenas 15% do total de postos de trabalho. Apesar de o setor público corresponder a 20% da massa salarial, o impacto da greve geral será mitigado pela sua reduzida participação na economia.
Pedro Braz Teixeira destaca que a greve terá repercussões no setor da educação, onde as aulas poderão ser concentradas, e na saúde, onde se prevê um aumento das listas de espera. No setor privado, a adesão à greve tende a ser significativamente menor, resultando em um impacto limitado no dia da paralisação. O economista acredita que a produção e as vendas realizadas nesse dia poderão ser compensadas em outras datas.
No geral, o impacto da greve geral de 11 de dezembro deve ser inferior a 0,1% do PIB, dado que o peso do setor público na economia é reduzido e a adesão no setor privado deverá ser baixa. “0,1% do PIB é o limite superior, cerca de 300 milhões de euros”, esclarece.
A greve geral surge em protesto contra as mais de 100 alterações propostas pelo Governo à lei do trabalho. Em abril, já se verificou uma paralisação significativa devido a um apagão, e Pedro Braz Teixeira compara os dois eventos. Embora a greve geral e o apagão tenham semelhanças, o impacto económico do apagão foi inicialmente estimado entre 0,1% e 0,2%, mas o crescimento do PIB no segundo trimestre foi superior ao esperado, sugerindo que o impacto real foi inferior a 0,1%.
O economista identifica duas diferenças principais entre a greve geral e o apagão: a falta de surpresa e a distinção entre os setores público e privado. A previsibilidade da greve permite que as empresas se preparem melhor, evitando perdas significativas, como a destruição de produtos perecíveis.
Desde julho, a UGT tem criticado o anteprojeto do Governo para a revisão da lei do trabalho, mas decidiu unir forças com a CGTP para esta greve geral, não apenas em protesto contra as propostas em discussão, mas também pela falta de progresso nas negociações. As alterações em causa incluem mudanças nos contratos a prazo, despedimentos, licenças parentais e bancos de horas.
Apesar do desejo de um acordo na Concertação Social, o Governo não tem demonstrado intenção de recuar nas propostas que têm gerado mais controvérsia entre os sindicatos.
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Fonte: ECO





