Custos de certificação dificultam acesso das pequenas empresas à Defesa

As pequenas empresas em Portugal enfrentam grandes desafios para obter certificações necessárias para atuar no setor da Defesa. Reinaldo Teixeira, proprietário da Carité Calçados, partilha a sua experiência ao lembrar o esforço que teve de fazer para conseguir a certificação da NATO. Para tal, construiu um bunker de betão armado na sua empresa, onde guardou informação sensível. Esta realidade ilustra as dificuldades que muitas empresas de menor dimensão enfrentam para se inserirem neste mercado altamente regulado.

A Carité Calçados, que já fornece botas militares à NATO desde 2020, teve de passar por um processo complexo para obter a certificação, o que exigiu um ano de trabalho. Teixeira sublinha que a manutenção da certificação implica custos elevados, que muitas vezes só empresas médias e grandes conseguem suportar. “É muito difícil, nem qualquer empresa consegue esse certificado”, afirma, destacando a necessidade de apoio público para facilitar o acesso das pequenas empresas ao setor da Defesa.

Outro exemplo é a EID, que, com 40 anos de experiência, já conquistou o nível de certificação da NATO. A empresa fornece sistemas de comunicação e, segundo uma fonte oficial, a certificação não só valida os métodos de trabalho, mas também assegura que as soluções estão alinhadas com as expectativas dos clientes. Contudo, a EID também enfrenta desafios, como a resistência à mudança nos processos de trabalho, que são essenciais para garantir a rastreabilidade e a robustez das operações.

Fernando Cunha, CEO da Beyond Composite, que desenvolve soluções de proteção balística, destaca que a credibilidade e a experiência são fundamentais neste setor. A empresa está licenciada pelo Ministério da Defesa Nacional e os seus produtos são testados segundo normas rigorosas. Cunha refere que o verdadeiro desafio não é apenas obter a certificação, mas sim garantir que a solução certificada é a mais adequada para cada cliente.

Leia também  Maior investimento nas Forças Armadas portuguesas em destaque

José Neves, presidente do AED Cluster Portugal, defende que o aumento do investimento em Defesa na Europa representa uma oportunidade para a indústria nacional. No entanto, ele alerta que as empresas devem alinhar-se com normas técnicas internacionais e reforçar processos internos para se inserirem nas cadeias de fornecimento internacionais. Neves sublinha a importância de construir relações industriais de longo prazo, que permitam às empresas portuguesas participar em programas internacionais.

Para que as pequenas empresas não fiquem excluídas deste mercado, é crucial que haja uma política industrial de Defesa clara e duradoura em Portugal. Sem essa previsibilidade, as empresas hesitam em investir e expandir. O futuro do setor da Defesa em Portugal pode depender da capacidade de apoiar as pequenas empresas na obtenção das certificações necessárias.

Leia também: O impacto das certificações na indústria nacional.

certificação Defesa certificação Defesa certificação Defesa certificação Defesa certificação Defesa Nota: análise relacionada com certificação Defesa.

Leia também: Portugal investe 5,8 mil milhões em defesa, mas sem caças

Fonte: ECO

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top