Num cenário de crescente volatilidade, as empresas estão a intensificar a adoção de boas práticas de gestão de risco, com a inteligência artificial a assumir um papel cada vez mais relevante. No entanto, a presença de administradores independentes e a visão de longo prazo continuam a ser áreas que necessitam de melhorias significativas, segundo o sétimo Relatório Anual de Monitorização (RAM) do Instituto Português de Corporate Governance (IPCG).
Este relatório, que analisa o desempenho de 35 empresas em 2024, revela que a adesão às recomendações do Código de Governo das Sociedades se manteve em 87%, enquanto no índice PSI houve uma ligeira melhoria, passando de 94% para 95%. João Moreira Rato, presidente do IPCG, considera positivo o avanço nas melhores práticas, especialmente nas áreas de gestão de risco e controlo interno.
Embora a gestão de risco tenha sido amplamente adotada, com todas as empresas a seguirem dez recomendações do IPCG, ainda existem lacunas. A inclusão de administradores independentes e políticas de remuneração de longo prazo são pontos críticos que precisam de atenção. Moreira Rato destaca que a falta de ênfase em programas de médio a longo prazo pode comprometer a boa governança.
A gestão de risco, cada vez mais central, é um dos pilares da boa governança. O relatório indica que a adesão a recomendações estratégicas, como a criação de procedimentos para a identificação e avaliação de riscos, aumentou significativamente. A crescente preocupação com a gestão de risco é atribuída a eventos recentes, como a pandemia de covid-19 e a invasão da Ucrânia pela Rússia, que evidenciaram a necessidade de um controlo interno robusto.
A inteligência artificial também está a ganhar terreno nas práticas de governança. A prestação de informações sobre o uso da IA na tomada de decisões subiu de 82% para 89%, sendo que todas as empresas cotadas no PSI já adotaram esta recomendação. No entanto, Moreira Rato alerta que, apesar do avanço, as empresas ainda precisam de integrar a IA de forma mais abrangente nas suas estratégias.
Em 2025, será criada uma nova Comissão de Acompanhamento e Monitorização para apoiar as empresas na implementação das melhores práticas. O IPCG planeia também rever o Código de Governo das Sociedades, prevendo que a inteligência artificial seja um tema central nas discussões futuras.
Por outro lado, a adesão a recomendações sobre a nomeação de administradores independentes continua a ser baixa, com apenas 46% das empresas a seguirem a recomendação de criar uma comissão especializada para este efeito. A falta de independência nos órgãos de administração pode limitar a capacidade das empresas em adotar uma visão estratégica de longo prazo.
Em termos de sustentabilidade, as melhorias foram modestas. O acolhimento das recomendações relacionadas com dados ESG aumentou apenas um ponto percentual, evidenciando uma preocupação crescente por parte dos acionistas em tornar as questões de sustentabilidade mais concretas e quantificadas.
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Fonte: ECO





