A Prémio Nobel da Paz, Maria Corina Machado, sublinhou a necessidade de as democracias estarem preparadas para lutar pela liberdade, não apenas por uma questão de justiça, mas também como questão de sobrevivência. Este apelo foi feito num discurso escrito por ela, mas lido pela sua filha, Ana Corina Sosa Machado, durante a cerimónia de entrega do prémio em Oslo.
Corina Machado, que não conseguiu viajar para a Noruega devido a restrições impostas pelo regime de Nicolás Maduro, tem estado escondida há um ano. Apesar das dificuldades, a líder da oposição venezuelana conseguiu deixar o país, primeiro de barco para Curaçao e, depois, de avião particular para Oslo, conforme noticiado pelo Wall Street Journal.
No seu discurso, a dissidente destacou que o prémio não é apenas um reconhecimento pessoal, mas um símbolo importante para a Venezuela e para o mundo. “A democracia é essencial para a paz”, leu a sua filha, visivelmente emocionada. Corina Machado enfatizou que a luta pela liberdade é uma lição que os venezuelanos podem oferecer ao mundo, afirmando que “para termos democracia, precisamos de estar dispostos a lutar pela liberdade”.
Durante a cerimónia, um grande retrato de Corina Machado foi exposto, e a plateia aplaudiu com entusiasmo quando o presidente do Comité Norueguês do Nobel, Joergen Watne Frydnes, anunciou a sua presença. O discurso fez referência a outros laureados, como Nelson Mandela e Lech Walesa, e destacou que os defensores da democracia devem perseguir os seus objetivos com uma moralidade que os seus opositores não demonstram.
Machado lembrou que “nenhuma democracia funciona em circunstâncias ideais” e que aqueles que vivem sob regimes autoritários muitas vezes enfrentam escolhas difíceis. “A liberdade é uma escolha que deve ser renovada a cada dia, medida pela nossa vontade e pela nossa coragem em defendê-la”, afirmou.
A líder da oposição também refletiu sobre a história da Venezuela, mencionando que muitos não perceberam a tempo a transição para a ditadura. Referindo-se a Hugo Chávez, que se tornou presidente em 1999, Corina Machado lamentou que “um homem que outrora liderara um golpe militar para derrubar a democracia foi eleito presidente”. Ela concluiu que, desde 1999, o regime tem desmantelado a democracia no país.
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Fonte: Sapo





