Galp enfrenta queda após acordo na Namíbia e futuro incerto

A Galp está a enfrentar um momento difícil após a recente divulgação de um acordo relacionado com a exploração de petróleo em águas profundas na Namíbia. Em abril do ano passado, a petrolífera portuguesa anunciou uma descoberta significativa no complexo de Mopane, estimando a possibilidade de extrair até 10 mil milhões de barris de petróleo. Este anúncio fez com que as suas ações disparassem 21% numa única sessão, atingindo máximos históricos.

Contudo, a situação mudou drasticamente. Na última terça-feira, a Galp anunciou que a TotalEnergies se tornaria sua parceira na exploração de Mopane, o que levou as suas ações a uma desvalorização de 14,68%, fechando a 14,79 euros. Este desempenho representa a maior queda desde março de 2020, resultando numa perda de 1,77 mil milhões de euros em valor de mercado, com a capitalização bolsista a situar-se agora em 10,3 mil milhões de euros.

Analistas do Banco Carregosa alertam que a Galp poderá enfrentar uma volatilidade elevada no curto prazo, especialmente devido à falta de detalhes sobre o acordo e à ausência de reservas provadas. A evolução do preço do petróleo e a transição energética serão fatores cruciais que poderão influenciar a trajetória das ações. O analista da XTB, Vítor Madeira, também expressou preocupações, afirmando que “pode haver espaço ainda para mais quedas, principalmente se o preço do petróleo não aumentar”.

Em uma conferência com jornalistas, João Diogo Marques da Silva, co-CEO da Galp, reconheceu que o processo de negociação foi longo e que as expectativas do mercado eram elevadas. Apesar da reação negativa, ele enfatizou a importância da visão de longo prazo que o acordo representa. A co-CEO, Maria João Carioca, acrescentou que a diversidade da base de investidores da Galp pode ter influenciado a reação do mercado, com alguns investidores a esperarem retornos mais rápidos.

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O acordo com a TotalEnergies implica que a Galp retém uma participação de 40% no projeto Mopane, enquanto a TotalEnergies assume metade dos custos de exploração e desenvolvimento. A Galp também receberá uma fatia de 10% na licença 56, onde se encontra a descoberta Venus, e 9,4% na licença 91. Este movimento é visto como uma tentativa da Galp de mitigar riscos associados à exploração em águas profundas.

A co-CEO da Galp destacou que o acordo não apenas reduz a exposição financeira da empresa, mas também fortalece o portefólio com projetos de elevado potencial. A saúde financeira da Galp, considerada sólida, foi fundamental para a realização deste negócio, que não se limita a uma transação imediata, mas visa também a criação de valor a longo prazo.

Com a TotalEnergies a posicionar-se como operadora das duas maiores descobertas de petróleo na Namíbia, o futuro da Galp neste mercado permanece incerto. A petrolífera terá de trabalhar para recuperar a confiança dos investidores e demonstrar que este acordo pode trazer benefícios sustentáveis a longo prazo.

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Fonte: ECO

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