As legislativas de setembro de 2025 em Macau foram novamente marcadas pela exclusão de listas consideradas “não patrióticas”. Este ano, a situação foi ainda mais tensa, com a detenção de Au Kam San, um ex-deputado de nacionalidade portuguesa, conhecido por ser crítico do regime vigente.
Em 2021, Macau já tinha assistido à desqualificação de cinco formações e 21 candidatos, que não eram vistos como defensores da Lei Básica, a Constituição do território. Este ano, a Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE), liderada pelo chefe do executivo, Sam Ho Fai, desqualificou 12 candidatos de duas listas, incluindo a que era liderada por Ron Lam U Tou, o parlamentar mais crítico na legislatura anterior.
A decisão da CDSE gerou controvérsia e foi questionada por constitucionalistas, que argumentaram que a exclusão carecia de um fundamento legal adequado. O antigo deputado Au Kam San criticou a situação, afirmando que as autoridades utilizam táticas severas de desqualificação para garantir que apenas candidatos pró-sistema possam participar nas eleições.
Duas semanas após a exclusão, Au Kam San foi detido sob a acusação de conluio com uma organização anti-China, uma ação que gerou críticas internacionais, incluindo da União Europeia e de várias organizações de direitos humanos. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal manifestou preocupação e prometeu acompanhar a situação de perto.
Durante uma visita a Macau, o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, não abordou a detenção de Au Kam San, defendendo que o caso exige discrição. Em 2021, Macau registou uma taxa de abstenção recorde de 57,6%, com mais de 5.200 votos em branco ou nulos. Este ano, o governo de Sam Ho Fai fez um esforço significativo para aumentar a participação eleitoral, enviando cartas a funcionários públicos para incentivá-los a votar.
Como resultado, a participação eleitoral subiu para 53,4%, embora os votos nulos e em branco tenham mais do que duplicado, ultrapassando 13 mil. A lista apoiada pela Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau, liderada pelo português José Pereira Coutinho, venceu com 26,7% dos votos, conseguindo eleger três deputados.
Na esfera económica, a guerra tarifária entre os Estados Unidos e a China levantou preocupações em Macau, levando o governo a rever o Orçamento e a cortar 4,56 mil milhões de patacas (cerca de 490 milhões de euros) nas previsões de receitas, que são fortemente dependentes do setor do jogo, responsável por cerca de 83% do PIB da região. Contudo, a segunda metade do ano trouxe uma recuperação, e as receitas deverão superar as estimativas iniciais.
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Fonte: Sapo





