A valorização das profissões manuais em tempos de IA

Com a crescente implementação da inteligência artificial (IA), muitos trabalhadores sentem-se ansiosos quanto ao futuro do emprego. Embora a tecnologia esteja a transformar processos em diversas empresas, nem todas as funções estão igualmente expostas a essas mudanças. Até ao momento, não se têm verificado despedimentos em massa, mas a IA já está a redefinir o valor de várias profissões.

De acordo com o relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Económico Mundial, as profissões nas áreas de análise de dados, IA, logística e construção civil deverão registar uma procura crescente até 2030. Por outro lado, funções repetitivas e facilmente automatizáveis, como atendimento ao balcão e operadores de caixa, estão entre as mais vulneráveis a estas alterações.

Uma das questões que se coloca é se ainda compensa investir tempo e dinheiro na universidade ou se os cursos profissionais e as formações em profissões manuais oferecem carreiras mais estáveis e, em alguns casos, melhor remuneradas. Madalena Pereira, responsável pela formação no ISQ, afirma que, apesar da IA estar a automatizar tarefas intelectuais, as profissões manuais continuarão a ser essenciais. “Mudar canos ou fazer instalações elétricas são tarefas que a IA não substituirá”, afirma.

A oferta de cursos técnicos tem aumentado significativamente, com uma procura constante. O ISQ disponibiliza mais de 30 cursos técnicos, todos com elevada saída no mercado. Contudo, nem todos os inscritos confirmam a participação, o que levanta questões sobre a motivação dos formandos.

Os cursos atraem um público diversificado, desde jovens que desejam aprender uma profissão até licenciados que procuram complementar a sua formação académica com competências práticas. Madalena Pereira destaca que muitos engenheiros sentem dificuldades em aplicar a teoria na prática, e os cursos técnicos ajudam a colmatar essa lacuna.

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Além dos cursos fixos, o ISQ também oferece formação à medida para empresas que desejam preparar os seus colaboradores em competências específicas. A procura varia consoante a área, com a canalização a atrair formandos individuais, enquanto áreas como eletricidade têm uma participação mais expressiva de empresas.

João Marques, fundador da aplicação Óscar, que permite chamar técnicos especializados, revela que o preço por hora do trabalho manual já ultrapassa o do trabalho intelectual. “Um canalizador pode ganhar até 200 euros por hora”, explica, sublinhando a escassez de mão-de-obra em várias profissões. Ele acredita que a valorização do trabalho manual continuará, mesmo com a formação de novos profissionais.

João Cerejeira, economista e professor, afirma que os licenciados e mestres ainda terão as melhores oportunidades no mercado de trabalho. No entanto, alerta que a massificação do ensino superior pode levar a uma aceitação de salários mais baixos por parte de alguns diplomados. Apesar disso, quem completa o ensino superior mantém uma vantagem competitiva.

A transformação provocada pela IA não significa necessariamente uma redução de empregos, mas sim uma mudança nas competências exigidas. Cerejeira compara a IA a um trator agrícola, que transforma a função do agricultor, mas não elimina a profissão.

Finalmente, a formação profissional ainda é vista como uma opção menos valorizada, o que pode prejudicar a percepção sobre as profissões manuais. É crucial mudar essa mentalidade e reconhecer o valor que estas profissões podem oferecer.

Leia também: O futuro do trabalho em tempos de IA.

profissões manuais profissões manuais Nota: análise relacionada com profissões manuais.

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Fonte: ECO

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