A partir de 2027, as demonstrações financeiras das empresas de seguros passarão por uma transformação significativa com a implementação da IFRS 18, que substituirá a antiga IAS 1. Esta nova norma não se limita a ajustes técnicos; representa uma mudança profunda na forma como as seguradoras comunicam o seu modelo de negócio e relatam as suas contas.
Nos últimos anos, o setor já se adaptou à IFRS 17, que revolucionou a mensuração dos contratos de seguro. Contudo, a verdadeira disrupção nos próximos anos será a forma como a informação é apresentada e divulgada. A IFRS 18 introduz três mudanças estruturais importantes que prometem redefinir a narrativa financeira das seguradoras.
Primeiro, haverá uma nova organização da demonstração de resultados, que exigirá a reclassificação de custos e proveitos em cinco categorias: operacionais, de investimento, de financiamento, impostos sobre o rendimento e operações em descontinuação. Esta mudança permitirá uma visão mais clara e categorizada da performance financeira, algo que, até agora, tem sido uma “mistura” difícil de interpretar.
Em segundo lugar, a IFRS 18 estabelece novos critérios de agregação e desagregação, obrigando as empresas a apresentar os custos operacionais de forma mais detalhada e consistente. Não será suficiente agregar grandes rubricas sem explicações; a norma exige que as informações apresentadas nas demonstrações financeiras sejam coerentes com as notas explicativas.
Por último, a norma impõe a obrigação de divulgar métricas de desempenho definidas pela gestão, o que significa que as seguradoras terão de contar a “história financeira” com mais clareza e detalhe. Isso inclui a necessidade de explicar quais saldos e subtotais são utilizados para calcular rácios e a razão de quaisquer ajustes, aumentando assim a transparência.
A IFRS 18 não altera a realidade económica das seguradoras, mas torna-a mais visível. As empresas que tradicionalmente dependem do resultado financeiro para compensar a volatilidade técnica poderão ver a sua performance estrutural mais exposta. A pressão por uma maior transparência será um desafio, mas também uma oportunidade para que o setor demonstre a sua maturidade e rigor.
O custo de implementação da IFRS 18 poderá ser significativo, envolvendo ajustes nos sistemas contabilísticos e redefinições nas políticas de gestão. No entanto, os benefícios potenciais são claros: demonstrações financeiras mais claras, rigorosas e comparáveis. Esta nova abordagem poderá ajudar a mudar a perceção pública do setor, que historicamente tem sido visto como opaco.
A partir de 2027, as seguradoras terão de responder a perguntas que antes eram implícitas nos seus relatórios. Quais métricas são realmente utilizadas para gerir o negócio? Como se articulam essas métricas com os resultados contabilísticos? A IFRS 18 exige que as respostas sejam claras e coerentes, eliminando discrepâncias na informação financeira.
Com a IFRS 18, o setor segurador poderá iniciar uma nova era de diálogo com clientes, investidores e reguladores, onde a comunicação da gestão será alinhada com o que as contas realmente demonstram. Quando as contas falam com clareza, o futuro do setor torna-se mais inteligível.
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Fonte: ECO





