O ecossistema fintech europeu está a prosperar, com França a destacar-se como um dos líderes nesta área. A vice-presidente de Fintech & Enablers da Mastercard Western Europe, Elena Martinez, partilhou a sua visão sobre as tendências do setor em entrevista ao Jornal Económico. Segundo ela, o potencial da inteligência artificial (IA) no espaço financeiro é “vasto e entusiasmante”.
Martinez referiu que a Mastercard tem desempenhado um papel importante na educação e apoio às fintechs através do programa “Mastercard For Fintechs 2025”. Este programa visa conectar, educar e acelerar as startups de tecnologia financeira em toda a Europa Ocidental. A primeira edição do programa teve como vencedor a startup portuguesa Rauva, um sinal do crescimento do ecossistema fintech em Portugal.
Em relação ao mercado português, Elena Martinez descreveu-o como um “grande mercado de startups”, embora o cenário das fintechs seja um pouco mais complexo. “O ecossistema de pagamentos em Portugal é mais complicado, o que resulta em menos atividade nas fintechs comparativamente às startups em geral”, explicou.
O programa “Mastercard For Fintechs 2025” já conta com 244 fintechs na sua segunda edição, que culminou numa final em Barcelona, onde a empresa portuguesa Paynest também participou. Martinez sublinhou a importância de criar um ambiente inovador e competitivo para que as fintechs possam escalar e ter sucesso. “As empresas precisam de apoio para se expandirem além das suas fronteiras”, afirmou.
A Mastercard também investe na educação, reconhecendo a complexidade do setor de pagamentos. A empresa disponibiliza uma plataforma de aprendizagem para as fintechs que participam no programa, com 40% delas a utilizarem ativamente esta ferramenta. “O mundo dos pagamentos não é fácil de entender, e muitas fintechs procuram conselhos sobre como enfrentar os desafios”, comentou Martinez.
Além disso, Elena Martinez destacou a inovação nas pequenas e médias empresas (PME), que representam 99% das empresas na Europa. Este setor, tradicionalmente mal servido pelas instituições financeiras, apresenta um grande potencial para melhorias, especialmente na automação e na cibersegurança. Um estudo recente da Mastercard revelou que 79% dos proprietários de PME em Portugal enfrentam dificuldades em lidar com questões de cibersegurança.
As tendências observadas no ecossistema fintech europeu incluem uma mudança de foco do crescimento para a rentabilidade, impulsionada pelas dificuldades de captação de investimento. A consolidação é uma realidade, com várias aquisições a ocorrerem no último ano. A relevância das criptomoedas e da tecnologia blockchain também está a aumentar, especialmente com novas regulamentações.
Por fim, a adoção da IA nas fintechs está a transformar a experiência do cliente e a eficiência operacional. Elena Martinez acredita que o impacto da IA no setor financeiro será profundo e que estamos apenas no início desta jornada. “O potencial da IA na fintech é verdadeiramente entusiasmante”, concluiu.
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Fonte: Sapo





