A menos de um mês das eleições presidenciais em Portugal, a corrida a cinco candidatos continua a ser imprevisível. Uma recente sondagem da Universidade Católica mostra que a diferença entre o primeiro e o quinto lugar é inferior a oito pontos, evidenciando a incerteza que paira sobre o resultado final.
Entre os candidatos, destaca-se Cotrim de Figueiredo, que parece ter um desempenho superior ao do seu próprio partido, conquistando uma fatia significativa do eleitorado jovem e quase um quinto dos votos da Aliança Democrática. Por outro lado, André Ventura demonstra uma capacidade notável para manter o seu eleitorado das legislativas, o que pode garantir a sua passagem à segunda volta.
No entanto, o verdadeiro destaque desta campanha é o desempenho decepcionante de Gouveia e Melo. As suas probabilidades de vitória, que outrora ultrapassavam os 55%, caíram para menos de 25% nas últimas apostas do Polymarket. O seu debate com Ventura exemplificou a sua falta de firmeza e clareza, revelando uma incapacidade de se comprometer com as suas ideias. Ao longo da campanha, Gouveia e Melo tem-se mostrado titubeante, o que prejudica a sua imagem como candidato.
O ex-almirante, que começou como um dos favoritos, parece ter perdido a confiança do eleitorado. As suas intervenções têm sido marcadas por erros e contradições, como ao afirmar que “temos de mudar a Constituição” ou que representa o Partido Socialista. As suas promessas de liberdade, coesão económica e justiça, embora bem-intencionadas, soam vazias sem um plano claro por trás delas.
Para um candidato sem experiência política, seria expectável que Gouveia e Melo procurasse aconselhamento junto de figuras com mais know-how. No entanto, a sua aliança com elementos do passado político, incluindo parte do costismo e uma máquina de comunicação associada ao socratismo, parece ter-lhe custado a autenticidade. Nos debates, a sua falta de traquejo é evidente, e a sua estratégia revela-se confusa, refletindo uma coligação de insatisfeitos com o sistema.
Se a candidatura de Gouveia e Melo estava destinada ao fracasso, poucos o previram. Inicialmente, ele aspirava a uma vitória na primeira volta, mas a complexidade da política revelou-se um obstáculo. A sua campanha, que deveria ser uma afirmação de mudança, acaba por ser percebida como uma tentativa de agradar a todos, mas sem uma mensagem clara. A pouco mais de um mês das eleições, Gouveia e Melo consolidou-se como o candidato de “sabor a baunilha”: é difícil não gostar, mas quem realmente se sente motivado a apoiá-lo?
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Fonte: ECO





