O mercado de seguro marítimo no Mar Negro enfrenta uma escalada sem precedentes, impulsionada por ataques ucranianos a navios e infraestruturas portuárias russas. Segundo a corretora Marsh, os prémios de seguro marítimo de risco de guerra triplicaram entre o início de novembro e o início de dezembro, passando de 0,25-0,3% do valor do navio para 0,5-0,75%. Em alguns casos, os prémios chegaram a 1%, especialmente para petroleiros associados à Rússia. Para um navio avaliado em 50 milhões de dólares, isso implica que o custo do seguro por viagem pode saltar de 125 mil dólares para meio milhão.
Um especialista da Marsh comentou que o que se observa no Mar Negro não é apenas um risco latente, mas um risco operacional ativo. Cada novo ataque leva os subscritores a reavaliar os prémios quase em tempo real. Durante novembro e dezembro, petroleiros sob sanção, como o Kairos e o Virat, foram atingidos por drones ucranianos enquanto se dirigiam ao porto de Novorossiysk. Estes navios fazem parte da chamada “frota sombra”, utilizada para contornar sanções, e o ataque aumentou a perceção de risco entre os seguradores.
De acordo com um responsável da corretora de seguros Aon, em algumas viagens, especialmente aquelas que envolvem petroleiros com ligações à Rússia, o prémio de seguro aproxima-se rapidamente de 1% do valor do navio. Isso levanta questões sobre a viabilidade económica das rotas para muitos armadores. Fontes do mercado Lloyd’s sublinham que a sofisticação dos ataques, que incluem drones navais e mísseis, reduziu drasticamente a margem de erro na avaliação do risco. O aumento dos prémios de seguro é, portanto, um reflexo de uma mudança estrutural no mercado e não apenas de episódios isolados.
A escalada dos custos de seguro está a influenciar decisões operacionais. Algumas empresas de transporte, como a Besiktas Shipping, decidiram suspender viagens para portos russos, enquanto outras estão a reconsiderar rotas ou a aceitar seguros limitados com franquias elevadas. Um armador europeu, que preferiu manter-se anónimo, afirmou que quando o prémio sobe de 150 mil para meio milhão de dólares por viagem, isso deixa de ser apenas um custo adicional e transforma-se num risco estratégico.
Este aumento de custos também afeta os fretes de grãos e petróleo, com traders europeus a reportarem um aumento nos custos e uma maior incerteza nos prazos de entrega. Um trader de commodities agrícolas confirmou que o custo do seguro já está a ser refletido nos fretes de grãos do Mar Negro, resultando em preços mais altos e maior incerteza para os compradores.
Analistas de risco geopolítico alertam que o Mar Negro está a tornar-se uma zona de risco permanente, semelhante ao que se observou no Mar Vermelho em 2024. O mercado já começa a precificar um conflito prolongado, em vez de episódios temporários. Um especialista da Marsh resumiu que, num cenário onde os ataques são realizados por drones e mísseis, o seguro marítimo tornou-se um barómetro silencioso da guerra, e no Mar Negro, esse barómetro está claramente em zona de tempestade.
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Fonte: ECO





