Banca em Portugal enfrenta desafios na gestão de riscos climáticos

O Banco de Portugal analisou a situação do setor bancário nacional em relação aos riscos climáticos, revelando que as medidas implementadas para identificar e gerir estes riscos são consideradas “insuficientes”. Segundo o terceiro Relatório Anual sobre a Exposição do Setor Bancário ao Risco Climático, as emissões de gases com efeito de estufa financiadas por cada euro de empréstimos aumentaram entre 2020 e 2023, estabilizando posteriormente.

O relatório destaca que os incêndios são um dos riscos climáticos mais significativos para o país, embora a exposição das instituições financeiras a este fenómeno seja limitada. O Banco de Portugal sublinha que “na maioria das situações, as medidas implementadas pelos bancos são ainda insuficientes” para garantir uma gestão eficaz dos riscos climáticos e ambientais. Para o banco central, é crucial acelerar os esforços de adaptação para cumprir as orientações do supervisor de forma adequada e atempada.

Uma das principais recomendações do relatório é a necessidade de informação “tempestiva e granular” sobre as intensidades carbónicas a nível empresarial, em vez de apenas setorial. Esta informação é vital para melhorar a qualidade e a relevância dos indicadores de exposição aos riscos de transição.

Atualmente, o setor bancário apresenta uma estabilização na exposição aos riscos climáticos de transição, especialmente na carteira de empréstimos a empresas. Contudo, a proporção de empréstimos concedidos a setores mais intensivos em carbono ultrapassa o peso dessas empresas na economia. Apesar disso, não se observa uma “concentração excessiva” de atividades mais expostas ao risco de transição.

Em relação à pegada carbónica dos empréstimos a empresas, o relatório indica um aumento das emissões de gases com efeito de estufa desde 2020, que estabilizou a partir de 2023. Este aumento foi mais pronunciado nos setores da agricultura e utilities, que apresentam intensidades carbónicas superiores à média.

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No que diz respeito ao risco de incêndios rurais, o relatório revela que a exposição do setor bancário é “limitada”. Apenas 1,8% do total de crédito concedido às empresas está exposto a níveis de perigosidade “alta” ou “muito alta” de incêndio. Esta percentagem sobe para 3,5% se considerarmos um raio de influência mais amplo, mas, mesmo assim, o peso continua a ser reduzido.

O Banco de Portugal utilizou os incêndios de junho e outubro de 2017 como estudo de caso, constatando um aumento na probabilidade de incumprimento das empresas afetadas, especialmente nas que operam em setores mais vulneráveis, como a agricultura. Os efeitos negativos concentraram-se no ano seguinte, 2018, não se prolongando nos anos subsequentes.

Uma limitação importante na avaliação do banco central é que a perigosidade de incêndio rural é calculada com base em dados históricos, sem considerar os impactos das alterações climáticas. Além disso, não são levados em conta outros fatores, como o risco para a cadeia de valor, apoios públicos, seguros, e a perda de serviços de ecossistemas essenciais para as empresas.

Por fim, o relatório indica que a exposição do setor bancário, através de empréstimos a particulares, às classes mais elevadas de perigosidade de incêndio rural é reduzida. As classes “alta” e “muito alta” representam apenas 1% do total de empréstimos hipotecários a particulares, aumentando para 3% quando se considera uma área mais abrangente.

Leia também: O impacto das alterações climáticas na economia nacional.

riscos climáticos Nota: análise relacionada com riscos climáticos.

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Fonte: ECO

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