A economia alemã atravessa a sua pior crise desde o pós-guerra, com a produção industrial a registar uma queda acentuada. Peter Leibinger, Presidente da Federação das Indústrias Alemãs, expressou preocupação em comunicado, afirmando que a produção deverá cair 2% este ano, marcando o quarto ano consecutivo de descidas. Para Leibinger, esta crise não é apenas temporária, mas resulta de um impasse estrutural que o governo não tem sabido enfrentar.
A Federação das Indústrias Alemãs exige uma resposta mais firme do governo de Friedrich Merz, apelando a políticas económicas que priorizem a competitividade e o crescimento. Sem essas medidas, a economia alemã poderá mergulhar ainda mais, arrastando consigo a economia europeia. A crise energética, amplamente discutida, continua a ser um dos principais fatores que contribuem para este descalabro. As soluções temporárias, como a electricidade subsidiada para as empresas, não são suficientes para restaurar a competitividade.
O sector energético da Alemanha enfrenta sérias dificuldades, com a desindustrialização a acentuar-se e a provocar perdas significativas de emprego. Por exemplo, a produção no sector automóvel caiu 20% desde 2019, resultando em cerca de 150 mil desempregos. A indústria química, que outrora foi uma das forças da economia alemã, encontra-se no seu pior estado em 30 anos, com algumas áreas a sofrer reduções de produção superiores a 50%.
Além disso, a transferência de unidades produtivas para países como Índia e China, onde a energia é mais barata, tem sido uma tendência crescente. As sanções à Rússia, que cortaram o abastecimento de gás, foram criticadas por associações empresariais e sindicatos, que alertaram para os danos que poderiam causar às indústrias intensivas em energia. Apesar das advertências, os políticos europeus seguiram adiante com as sanções, ignorando as diferenças significativas entre a Europa e os EUA em termos de política energética.
O governo alemão está ciente da gravidade da situação, mas continua a hesitar em apostar na energia nuclear e a optar por soluções que não resolvem os problemas estruturais. A instalação de centrais a gás, que o governo planeia, poderá torná-lo o quarto maior importador mundial de gás natural liquefeito (GNL), mas isso implica um elevado investimento e um aumento das emissões de CO2, contradizendo os compromissos climáticos assumidos.
A crise da economia alemã é ainda mais complexa quando se considera que outros países europeus, como Grécia e Itália, estão a retomar a exploração de petróleo e gás nas suas águas. Esta hipocrisia na política energética europeia levanta questões sobre a coerência das políticas adoptadas.
Desde a década de 2010, a economia alemã era vista como um exemplo de prosperidade, baseada na exportação de produtos de elevado valor acrescentado. No entanto, a dependência excessiva da energia russa e decisões políticas erradas têm revelado a fragilidade do modelo económico. A situação foi ainda agravada pelas tarifas impostas durante a administração Trump, que deixaram a Europa sem uma resposta clara.
Neste contexto, a União Europeia parece desarticulada e sem um rumo claro, enquanto um novo “Triunvirato” formado por Macron, Merz e Starmer tenta assumir a liderança nas decisões sobre a guerra na Ucrânia. A falta de coesão e a ausência de uma estratégia clara para enfrentar a crise da economia alemã e europeia são preocupantes.
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Fonte: Sapo





