O investimento da Europa nas tecnologias quânticas tem vindo a crescer, com um aumento significativo no desenvolvimento científico e na criação de empresas inovadoras. No entanto, o continente enfrenta dificuldades na comercialização dessas tecnologias, o que pode resultar na perda de um mercado global avaliado em 93 mil milhões de euros na próxima década.
Um estudo da Organização Europeia de Patentes (OEP) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) revela uma fragilidade estrutural na União Europeia (UE). A pesquisa, intitulada “Mapear o ecossistema quântico global”, destaca a dificuldade em transformar investimento público e conhecimento científico em empresas escaláveis e produtos comerciais. Apesar do progresso no desenvolvimento tecnológico, a comercialização continua a ser uma área de preocupação.
O presidente da OEP, António Campinos, sublinha que, embora as tecnologias quânticas tenham um enorme potencial, a Europa ainda está a dar os primeiros passos. “O financiamento privado é agora essencial para comercializar a investigação de base, e os governos devem priorizar esta necessidade”, afirma. A comparação com os Estados Unidos evidencia a fraqueza da Europa em passar do laboratório para o mercado.
Apesar destes desafios, o interesse em proteger a inovação é notável. O número de famílias de patentes internacionais no domínio quântico quintuplicou na última década. Contudo, Portugal apresenta um panorama modesto, com apenas quatro pedidos de patentes internacionais relacionados com tecnologias quânticas entre 2015 e 2024. Telmo Vilela, conselheiro da OEP, destaca que o registo reflete um envolvimento lento, mas persistente, no setor.
A consultora McKinsey, no seu relatório “Quantum Technology Monitor 2025”, estima que as tecnologias quânticas poderão valer 93 mil milhões de euros até 2035. A OCDE e a OEP afirmam que estas tecnologias têm o potencial de transformar a forma como processamos informação e medimos a economia, com aplicações em áreas como saúde e defesa. Assim, é urgente que a Europa desenvolva estratégias que permitam transformar o dinamismo científico em liderança de mercado.
Governos de todo o mundo reconhecem o potencial das tecnologias quânticas e mais de 30 países já implementaram políticas específicas para apoiar o seu desenvolvimento. Na Europa, os principais países em termos de patentes quânticas são a Alemanha, o Reino Unido e a França.
O ecossistema quântico é composto por mais de 4.500 empresas, das quais menos de mil se dedicam exclusivamente a estas tecnologias. A maioria das patentes e da criação de emprego está nas mãos de empresas que não têm a quântica como atividade principal. Os cinco principais requerentes de patentes internacionais entre 2005 e 2024 incluem gigantes como IBM, LG e Microsoft.
Para que a Europa não perca a corrida das tecnologias quânticas, é fundamental que os governos e o setor privado colaborem para impulsionar a comercialização e o desenvolvimento de inovações. Leia também: “O futuro das tecnologias emergentes em Portugal”.
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Fonte: ECO





