Os líderes da União Europeia preparam-se para um Conselho Europeu que promete ser marcado por tensões e debates acesos. Com a reunião agendada para esta quinta-feira, a discussão sobre a utilização dos ativos russos congelados, que totalizam cerca de 210 mil milhões de euros, e o futuro do acordo comercial com o Mercosul estão no centro da agenda. A urgência em encontrar soluções para o financiamento da Ucrânia e a pressão de vários Estados-membros complicam o cenário.
António Costa, presidente do Conselho Europeu, já admitiu que a reunião poderá prolongar-se até sábado, um desvio da tradição de encontros de um dia. A Ucrânia enfrenta uma crise financeira premente, com os fundos a esgotarem-se até à primavera de 2024. Para cobrir as necessidades de financiamento, a Comissão Europeia apresentou duas opções: um empréstimo da UE de 90 mil milhões de euros ou a utilização dos ativos russos congelados como garantia para um empréstimo por reparações de guerra.
A proposta de mobilização dos ativos russos encontra resistência, especialmente da Bélgica, que detém a maior parte destes ativos através da Euroclear. O governo belga exige garantias de que não será deixado a lidar sozinho com possíveis represálias de Moscovo. O embaixador belga na UE, Peter Moors, expressou preocupações sobre a regressão nas negociações, destacando a necessidade de um consenso claro entre os Estados-membros.
Além da questão dos ativos russos, o acordo comercial com o Mercosul também está em risco. Itália e França manifestaram a intenção de adiar a assinatura do acordo, que está prevista para sábado em Brasília. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que o acordo deve ser benéfico para todos os setores, especialmente para os agricultores, e que é necessário garantir a reciprocidade nas condições.
O presidente brasileiro, Lula da Silva, já avisou que não aceitará adiamentos e que, se o acordo não for assinado agora, não haverá novas oportunidades enquanto ele estiver no cargo. Esta posição reforça a pressão sobre os líderes europeus para que cheguem a um consenso.
Com a presença do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a cimeira será uma oportunidade para a Ucrânia reforçar a sua necessidade de apoio. A situação é delicada, com a administração norte-americana a pressionar os países europeus a reconsiderar a utilização dos ativos russos congelados. A tensão está no ar, e o futuro da Ucrânia e do comércio internacional poderá depender das decisões que serão tomadas nos próximos dias.
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Fonte: ECO





