Consolidação no setor das telecomunicações na Europa em 2023

O setor das telecomunicações na Europa está a atravessar um momento decisivo, com a expectativa de que se inicie a maior onda de consolidação das últimas décadas. Segundo um relatório da Oliver Wyman, a necessidade de fusões e aquisições é cada vez mais urgente, uma vez que a Europa procura reposicionar-se como um líder global em conectividade e inovação.

A pressão para a consolidação é impulsionada pela necessidade de aumentar a escala dos operadores europeus, que, em média, gerem cerca de 5 milhões de assinantes. Em comparação, os operadores nos Estados Unidos e na China têm bases de clientes muito mais robustas, com 107 milhões e 467 milhões, respetivamente. Esta fragmentação do mercado europeu resulta numa receita média por utilizador que é significativamente inferior à dos seus concorrentes, limitando a capacidade de investimento em infraestruturas digitais e a competitividade futura.

Atualmente, a receita média mensal por utilizador na Europa é de 23 euros para serviços fixos e 15 euros para serviços móveis, valores bem abaixo dos 59 euros e 43 euros registados nos EUA. Além disso, o investimento per capita na Europa é de 109 euros, comparado com 174 euros nos Estados Unidos, o que representa uma diferença de 37% que compromete a escalabilidade dos operadores europeus.

Neste contexto, a consolidação no setor das telecomunicações torna-se fundamental para aumentar a eficiência e a capacidade de investimento. Muitos países europeus têm uma abundância de operadores a competir em preços e serviços, e uma maior consolidação poderia resultar numa gestão mais eficaz das infraestruturas, melhorando a qualidade do serviço e facilitando o desenvolvimento de novas tecnologias.

Movimentos recentes em Espanha já indicam a transformação iminente. Operadoras como a Telefónica, a Vodafone e a MasOrange estão a criar empresas dedicadas a prestar serviços a operadores sem rede, como a Bluevía e a Fiberpass. Além disso, fusões como a entre a MasMóvil e a Orange demonstram a tendência crescente para a ampliação de escala e eficiência.

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A Telefónica, por sua vez, está a implementar um novo plano estratégico que reflete a necessidade de se adaptar ao mercado através de fusões e aquisições. A empresa está a gerir de forma prudente os recursos financeiros, reduzindo o dividendo para diminuir o endividamento e aumentar a flexibilidade financeira, permitindo assim aproveitar futuras oportunidades de consolidação.

Este plano poderá resultar numa poupança de até 3 mil milhões de euros até 2030 e num crescimento médio anual das receitas entre 2,5% e 3,5%, posicionando a Telefónica como um líder na consolidação do setor europeu das telecomunicações.

Além disso, o ambiente regulatório está a evoluir para favorecer um setor mais forte, com reguladores a adotarem uma abordagem mais flexível que pode facilitar a criação de grandes operadores nacionais. Contudo, ainda é necessário ajustar algumas normas para tornar as fusões viáveis e menos incertas.

O atual contexto geopolítico também adiciona uma nova dimensão a esta transformação. A soberania digital é agora uma prioridade estratégica para a Europa, e as telecomunicações são essenciais para isso. Operadores consolidados terão maior capacidade de investimento e recursos técnicos para desenvolver infraestruturas críticas, como redes de 5G e fibra ótica.

O processo de consolidação já está em curso, e não existe um único caminho para o sucesso. A combinação de várias estratégias de consolidação, que incluem fusões nacionais e transfronteiriças, é essencial para responder a diferentes objetivos e contextos. Acreditamos que a consolidação pode ser benéfica para todos, desde que se converta em sinergias que resultem em melhores redes e serviços mais competitivos. Isso exige disciplina financeira, foco em investimentos produtivos e a exploração de economias de escala para alcançar maior eficiência e redução de custos.

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Fonte: Sapo

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