Nos últimos sete anos, o número de estrangeiros a residir em Portugal disparou, passando de 480.670 em 2018 para 1.543.697 no final de 2024. Este aumento significativo, que representa um quadruplicar da população estrangeira, foi revelado por dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos, divulgados a 18 de dezembro, Dia Mundial dos Migrantes.
A maioria dos estrangeiros, cerca de 88,2%, tem idades compreendidas entre os 25 e os 64 anos e está ativa no mercado de trabalho. Deste grupo, 76,5% estão empregados, enquanto 11,5% estão à procura de emprego. Comparando com a população portuguesa, a taxa de emprego é ligeiramente inferior, com 86,9% dos portugueses nesta faixa etária no mercado de trabalho, dos quais 81,9% estão empregados.
No entanto, os dados também revelam uma desigualdade de género preocupante. A taxa de emprego entre os homens estrangeiros é de 86,4%, enquanto entre as mulheres é de apenas 68,5%. Para os homens portugueses, a taxa é de 84,7%, e para as mulheres, 79,3%. No que diz respeito ao desemprego, os homens estrangeiros apresentam uma taxa de 8,3%, enquanto as mulheres têm uma taxa de 14,6%. Para a população portuguesa, as taxas são significativamente mais baixas, com 4,8% para homens e 5,3% para mulheres.
A situação de pobreza também é alarmante. Quase um em cada quatro estrangeiros em Portugal (28,9%) vive em situação de pobreza ou exclusão social, um valor que supera em quase 10 pontos percentuais a taxa de 19,2% entre os portugueses. Na União Europeia, a situação é ainda mais grave, com dois em cada cinco estrangeiros a enfrentarem pobreza, em contraste com 19,3% dos nacionais.
Em 2024, Portugal recebeu 177.557 imigrantes, enquanto 33.916 pessoas emigraram permanentemente, resultando num saldo migratório positivo de 143.641. Este saldo, embora inferior ao de 2023, que foi de 155.701, reflete uma tendência crescente de imigração, que em 2023 foi composta maioritariamente por estrangeiros, representando 60% do total.
Nos últimos anos, a imigração em Portugal tem sido caracterizada por um aumento significativo, com uma taxa média de crescimento de 37% entre 2016 e 2023, a mais alta da União Europeia. A atribuição de nacionalidade portuguesa também tem aumentado, com 20.624 cidadãos a receberem a nacionalidade em 2024, um aumento de 21% em relação ao ano anterior.
A educação também tem sido afetada por este crescimento, com o número de alunos com pelo menos um dos pais de nacionalidade estrangeira a aumentar 58% entre 2020 e 2023, passando de 130.727 para 206.011.
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Fonte: Sapo





