Luís Montenegro, o primeiro-ministro português, expressou a sua preocupação em relação ao futuro do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, que inclui países como Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Antes de um dos conselhos europeus mais importantes dos últimos anos, Montenegro sublinhou que a força e a solidariedade da Europa estão em jogo. Ele afirmou que seria “imperdoável” se os líderes dos 27 Estados-membros não chegassem a um consenso sobre este acordo, que levou 25 anos a ser negociado.
Montenegro destacou que a concretização do acordo UE-Mercosul é crucial para garantir a reciprocidade e a igualdade de tratamento entre a Europa e os países do Mercosul. “Estamos a falar de um mercado que abrange mais de 700 milhões de consumidores”, afirmou o primeiro-ministro, durante uma declaração à imprensa à chegada ao Edifício Europa, em Bruxelas.
A situação é ainda mais complexa, uma vez que alguns países, como França e Itália, pediram o adiamento da assinatura do acordo. Estes países exigem que sejam implementadas medidas adicionais para proteger os agricultores, considerando que é necessário assegurar garantias adequadas de reciprocidade para o setor agrícola. Montenegro frisou que é “crucial” que os 27 Estados-membros cheguem a um entendimento para a assinatura final do acordo UE-Mercosul.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também enfatizou a importância de alcançar um consenso no Conselho Europeu. Ela referiu que o acordo com o Mercosul é essencial para a competitividade da UE, sublinhando que as dependências problemáticas devem ser resolvidas para garantir um futuro económico sólido.
Além do acordo UE-Mercosul, outros temas estão em discussão nesta reunião do Conselho Europeu, incluindo o financiamento à Ucrânia. Montenegro afirmou que Portugal está aberto a todas as soluções disponíveis, mas reiterou que a “solução ideal passa pela utilização dos ativos russos congelados” para ajudar a Ucrânia.
A pressão sobre a União Europeia para que avance com o acordo UE-Mercosul é crescente, e a expectativa é que os líderes europeus consigam encontrar um caminho comum que beneficie todos os envolvidos. A falta de consenso neste tema poderá ter repercussões significativas na economia europeia e nas relações comerciais com a América do Sul.
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Fonte: ECO





