O novo papel do escritório na liderança no trabalho

Um estudo recente intitulado “Teletrabalho em Portugal: desafios e oportunidades do futuro”, realizado pela Gi Group Holding e pela Worx Real Estate Consultants, revela uma transformação significativa nos espaços de trabalho. O escritório deixou de ser apenas um local de presença obrigatória, passando a ser um ativo estratégico essencial para as organizações.

A verdadeira missão da liderança no trabalho não é escolher entre modelos de teletrabalho ou presencial, mas sim entender como o escritório pode ser um catalisador para a cultura organizacional e o desempenho das equipas. Este novo entendimento visa também corrigir a imagem negativa que, por vezes, se associa ao teletrabalho.

O escritório como pilar da cultura organizacional
O estudo da Gi Group Holding demonstra que a frequência ao escritório já não é apenas uma questão de rotina, mas sim uma ação com um propósito claro: fortalecer relações e alinhar equipas. De acordo com os dados, 77% dos trabalhadores vão ao escritório para colaborar em equipa e participar em reuniões, enquanto 59% valorizam o contacto social e a interação no espaço de trabalho.

Esses números evidenciam que a cultura organizacional se constrói através de interações informais, que favorecem a confiança e o sentido de pertença. Contudo, as empresas estão cientes do risco de uma cultura fragmentada, com 69% a considerar que o modelo remoto pode enfraquecer o sentimento de pertença. Assim, 51% das organizações estão a adaptar os seus escritórios, ampliando áreas sociais e repensando os espaços de colaboração.

Em resumo, o escritório tornou-se uma ferramenta crucial na gestão de talento e na materialização da identidade organizacional. A liderança no trabalho deve, portanto, transformar este espaço num lugar significativo, que não visa controlar, mas sim conectar as pessoas à empresa e entre si.

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A geração Z e a mudança no escritório
Curiosamente, são os trabalhadores mais jovens que estão a liderar o retorno aos escritórios. Um estudo da JLL revela que a geração Z valoriza a ligação e a mentoria presenciais, desafiando a ideia de que a flexibilidade é sempre preferível.

Por que a flexibilidade não substitui a liderança no trabalho?
Atualmente, existe uma clara divergência entre a visão das administrações e a dos colaboradores sobre o impacto do teletrabalho. Enquanto para os trabalhadores a flexibilidade é um grande benefício, 73% das administrações acreditam que o teletrabalho prejudica o trabalho em equipa. Apenas 30% dos responsáveis de recursos humanos partilham dessa opinião.

O que realmente importa não é o modelo de trabalho em si, mas sim a importância da liderança no trabalho para gerir relações, comunicar expectativas e garantir alinhamento em contextos dispersos. A flexibilidade tornou-se, assim, uma competência essencial para os líderes que gerem equipas híbridas. É fundamental que os líderes incentivem a participação no escritório, ao mesmo tempo que promovem a cultura organizacional no trabalho híbrido.

Um novo paradigma de liderança no trabalho
Num cenário onde a flexibilidade é uma expectativa e o modelo híbrido se torna a norma, a responsabilidade recai sobre os líderes. Eles devem desenhar estratégias que conciliem autonomia, colaboração e um propósito comum. Este novo paradigma exige uma redefinição do papel do escritório e da cultura organizacional.

A liderança no trabalho deve ser visionária, capaz de criar experiências que maximizem o valor das interações presenciais, sem desvalorizar os benefícios do teletrabalho. É crucial investir em espaços laborais flexíveis que promovam a coesão das equipas e a sustentabilidade do seu desempenho.

Além disso, é imprescindível combater a percepção negativa do trabalho remoto e alinhar as expectativas entre administração, recursos humanos e colaboradores, assegurando uma gestão saudável do teletrabalho. No fundo, a liderança no trabalho híbrido deve reconhecer que o espaço físico continua a ser uma vantagem competitiva, mas apenas quando é gerido de forma humanizada. Esta combinação permitirá construir equipas mais resilientes face aos desafios futuros do trabalho, tanto em Portugal como no resto do mundo.

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Fonte: Sapo

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