O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, lançou um apelo claro para enfrentar a crise da habitação em Portugal: “oferta, oferta, oferta”. Esta afirmação reflete a preocupação com o desfasamento entre o crescimento populacional e a diminuição da construção de novas habitações, um problema que se tem agravado nos últimos anos.
No Boletim Económico de dezembro, o Banco de Portugal analisa a situação da habitação e conclui que, desde 2011, o número de novas casas disponíveis no mercado não tem acompanhado o aumento da procura. Entre 1981 e 2011, o país assistiu a um aumento significativo de alojamentos, com mais de 80 mil novas habitações por ano, enquanto o número de famílias crescia a um ritmo muito mais lento. No entanto, a partir de 2011, a situação inverteu-se, com um aumento médio de 4 mil famílias por ano a superar a oferta de alojamentos.
Este desfasamento tem levado a um aumento acentuado dos preços, especialmente nas áreas costeiras, onde a procura é mais intensa. Álvaro Santos Pereira sublinha a urgência de construir mais habitação para equilibrar este mercado. “Nos próximos anos, o mercado da habitação tem de ter três prioridades: oferta, oferta e oferta”, afirmou durante a apresentação do Boletim.
O governador também destacou a necessidade de acelerar o processo de licenciamento, que atualmente é considerado demasiado demorado. Ele propôs que se tornasse pública a informação sobre os tempos de licenciamento por município, uma vez que muitos constrangimentos na oferta de habitação são atribuídos a este processo burocrático.
Embora o Banco de Portugal reconheça a importância de medidas que estimulem a procura, a prioridade deve ser dada à oferta de habitação, dada a disparidade identificada. Neste contexto, o parque habitacional público em Portugal, que representa apenas 2% do total, ganha uma relevância significativa. Este valor é considerado baixo em comparação com outros países europeus, especialmente no Norte do continente, mas também representa uma oportunidade para investimentos futuros.
A discussão sobre a oferta de habitação é, portanto, uma questão premente que exige atenção e ação. O Banco de Portugal defende que, para resolver a crise habitacional, é fundamental aumentar a oferta, acelerar os processos de licenciamento e considerar a expansão do parque habitacional público.
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Fonte: Sapo





